O calor de dezembro

Pôr do sol dezembro Céu
Imagem: Konevi. Pixabay.

Dezembro começou quente e terminou mais quente ainda. Esse é o verão, que resolveu chegar com força. Época de festas, marcando mais um ano que se encerra. Para alguns, dezembro também significa férias, viagens, descanso.

No meu caso, em dezembro fiquei mais velho e me pareceu mais um mês de férias da faculdade, porém serão férias eternas, uma vez que acabei de me graduar e a ficha está caindo aos poucos. Quem sabe eu não inicie outro curso, mesmo uma outra graduação, ou uma pós. Vamos ver, afinal, se atualizar é sempre importante.

Aproveitei o tempo livre de dezembro para ler um pouco mais e consegui ler um bom número de livros. Alguns clássicos, outros mais modernos, alguns ruins, outros bons. Foi uma boa seleção, marcada por belas leituras e algumas decepções. Quer conferir como ficou o último ranking de 2018?


Capa Livro A Pequena Caixa de Gwendy5° A pequena caixa de Gwendy – Stephen King & Richard Chizmar (Suma, 2018): Certa vez, Stephen King não conseguiu dar continuidade a uma história que havia escrito. Já que nada saía do lugar, King resolveu passar a bola para seu amigo Richard Chizmar, que aceitou o trabalho, concluindo-o à sua maneira. Parece que a mão de Chizmar pesou mais, pois, apesar de ser possível perceber o estilo “kinguiano”, trata-se de um livro diferente, mais teen, de certo modo. O enredo é cheio de clichês e faltou desenvolvimento. Tudo acontece muito rápido, não dá tempo para se apegar a algum personagem. Os capítulos são bem curtos, até parece que quiseram finalizar o livro o mais depressa possível, sem se importarem com o resultado final. A premissa até que é interessante, sobre uma caixa cheia de surpresas, que pode ser usada tanto para fazer o bem, quanto o mal, todavia, faltou capricho. Não é o tipo de obra que um fã de Stephen King espera. Leia minha resenha AQUI.


Capa do livro Contos Clássicos de Terror4 ° Contos clássicos de terror – Vários autores (Companhia das Letras, 2018): Para o final de 2018, a Companhia das Letras preparou uma antologia de terror, o que é sempre bom. O responsável pela seleção dos contos foi o professor Julio Jeha. Essa antologia reúne contos de diversos autores, nacionais e internacionais. Apenas três deles ainda não estão em domínio público, são obras de Stephen King, Shirley Jackson e Lygia Fagundes Telles. É um livro bem interessante, que reúne contos de terror de diversos estilos; uma obra de grande valor histórico. Entretanto, muitos desses contos já estão presentes em outras antologias, algumas delas publicadas pela própria Companhia das Letras. A seleção das histórias poderia ter sido melhor, com mais obras inéditas, ao menos ao catálogo da editora. Uma edição bonita, mas uma grande decepção, que deixa o sentimento de que faltou algo, de que poderia ter sido melhor. Clique AQUI para ler minha resenha completa.


O livro de Areia Capa do Livro3° O livro de areia – Jorge Luis Borges (Companhia das Letras, 2009): O argentino Jorge Luis Borges foi um dos autores que melhor trabalharam o gênero conto. Ademais, esse autor escrevia grandes histórias, mas com poucas palavras; ele não precisava enrolar, era direto e certeiro. Um autor aclamado internacionalmente, que, infelizmente, não levou um Nobel para casa. Para nossa felicidade, uma premiação nem sempre é sinônimo de qualidade, e, para Jorge Luis Borges, qualidade é o que não falta. Este foi um de seus últimos trabalhos publicados, quando o autor já se encontrava cego. Temos todos os seus elementos característicos, contos marcados, principalmente, pela combinação de realidade e fantasia, algo que Borges sabia fazer como ninguém. Sim, é um bom livro, curto e muito gostoso de ser lido, mas falta um pouco de brilho, um trabalho que fica um tanto quanto ofuscado por obras anteriores, como ‘Ficções’. Conheça mais sobre o livro clicando AQUI.


Capa do Livro Poemas T. S. Eliot2° Poemas – T. S. Eliot (Companhia das Letras, 2018): Dizer que T. S. Eliot foi um dos maiores poetas de todos os tempos é chover no molhado. Foi um autor que marcou a poesia moderna e o movimento modernista na literatura, principalmente a de língua inglesa. Um poeta influente, estudado até os dias de hoje. Nessa edição, que reúne suas principais obras publicadas em vida, o leitor encontrará lindos poemas, muito musicais, belas rimas, uma mistura do clássico com o moderno. Mesmo sendo um autor modernista, T. S. Eliot não foi radical, não forçou algo para que apenas parecesse “diferente”. Na verdade, ele conseguiu fugir do estilo rígido do classicismo, mas sem que o resultado final ficasse estranho. A nova tradução é de Caetano W. Galindo, tradutor experiente, que já verteu para o português inúmeros autores importantes. É uma tradução que pode não agradar a muitos, uma vez que Galindo tomou muitas liberdades, alterando o texto em diversos pontos (muitas vezes alterando o sentido dos versos). Para o bem geral, trata-se de uma edição bilíngue. Acesse minha resenha AQUI.


Livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo1° O Evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago (Companhia de Bolso, 2005): José Saramago, o único autor lusófono que foi laureado com o Nobel de Literatura (até o momento), é conhecido por seus livros de reconhecimento internacional, mas era também conhecido pelo seu ateísmo e suas duras críticas à Igreja Católica. Por isso ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’ causou enorme rebuliço em seu lançamento, em Portugal. O livro recebeu inúmeras críticas da Igreja Católica, que alegou se tratar de uma obra que fere a fé cristã. Isso ocorreu por um motivo bem simples: o livro é, em geral, uma síntese da crítica de Saramago à Igreja Católica, e também ao cristianismo. Ao recontar a história de Jesus Cristo, o português tece, ao mesmo tempo, críticas, seja em diálogos, em detalhes, ou em divagações. Porém, outros detalhes também contribuíram para toda a revolta de quem vê o livro como uma afronta: Saramago quis escrever sobre um Jesus mais humanizado, com falhas e necessidades, até mesmo as carnais. Nesse livro, Jesus tem como companheira Maria Madalena (de Magdala), e os dois se relacionam sexualmente. Esses e outros detalhes deixaram muita gente brava. Porém, temos que levar em conta que se trata de uma obra de ficção, não é um livro que vai fazer um devoto deixar de ter fé. É um daqueles livros que fazem o leitor refletir, que pode incomodar muitos, tirar muita gente da zona de conforto. Obra muito interessante, com um dos melhores finais de todos os tempos. Que tal ler minha resenha AQUI?


Como foi o mês de dezembro para você? Conte aí nos comentários. O início de 2019 foi bom?

O post de dezembro com o maior número de visualizações foi: Minhas Leituras #98: O Evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago.

Obrigado pela visita.

Alan Martins


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Autor: Alan Martins

Graduado em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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