Minhas Leituras #101: Contos clássicos de terror – Vários autores

Livro Contos Clássicos de Terror Destaque

“A seleção dos contos poderia ter sido melhor”

Título: Contos clássicos de terror
Autores: Vários
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2018
Páginas: 408
Tradução: Vários tradutores
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“Se os poetas sondassem profundamente as almas, a poesia seria um treno doloroso.” (NETO, Henrique Coelho. A tapera. In: Contos clássicos de terror. Companhia das Letras, 2018, p. 203)

Parece que já virou um costume a Companhia das Letras publicar um livro de terror no final do ano — ano passado tivemos ‘Contos extraordinários, de Edgar Allan Poe. Em 2018 temos ‘Contos clássicos de terror’, uma reunião de contos de diversos autores. Um livro interessante, mas a seleção de histórias não foi a melhor.

Conhecendo novos autores

Costumo falar sobre o autor do livro em minhas análises, só que dessa vez não farei isso. Temos dezenove contos, cada um de um autor diferente, então fica meio impossível falar sobre cada um deles em particular (seria um post dedicado apenas a isso).

Nessa antologia, o leitor encontrará histórias escritas por diversos autores nacionais e internacionais, o que enriquece a experiência, afinal é sempre bom ler obras de autores diferentes, conhecer novas literaturas. E isso também contribuiu para deixar a leitura menos estática, uma vez que cada autor tem seu estilo de escrita.

Encontramos, no meio disso tudo, alguns contos mais curtos e outros mais longos. Como o título da obra diz, são histórias de terror. Todavia, não espere nada muito assustador, a não ser que você seja uma pessoa que se assusta muito fácil. Há uma variação legal no terror. Temos o terror sobrenatural, o mais violento, o terror do desconhecido e relatos sobre casos “aterrorizantes”. Em suma: a variação é interessante.

“Tu sabes, o homem é um animal que gosta.” In: Emoções, de João do Rio, p. 283

“Clássicos”

Pelo título da antologia, imaginamos se tratar do melhor conto de cada autor. Alguns até que são, temos algumas das obras mais conhecidas de certos autores, como ‘Venha ver o pôr do sol’, de Lygia Fagundes Telles, um de seus contos mais populares, senão o mais popular. Mas, em geral, a seleção é fraca. Temos um conto de Stephen King, um autor que escreveu inúmeros contos legais, mas o selecionado para este livro foi um “mais ou menos”.

Quem fez a seleção dos contos foi Julio Jeha, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele também é um pesquisador da área da literatura de terror e possui livros publicados. Acredito que a seleção poderia ser composta por contos mais interessantes, já que a maioria não agrada, não assusta e não entretém. A variedade dos contos e dos autores não salva a chatice.

Tirando os contos de Stephen King, Shirley Jackson e Lygia Fagundes Telles, os demais são todas obras já em domínio público (talvez o “clássico” venha disso). Um dos carros fortes é a publicação de um conto inédito (no Brasil) de H. P. Lovecraft e a nova tradução do conto ‘A loteria’, de Shirley Jackson (um conto que não é lá grande coisa). A leitura vale para conhecer contos de terror de autores nacionais e como uma documentação histórica. Não foi uma leitura que agradou, ao menos eu não fiquei satisfeito. Ademais, alguns dos contos já foram publicados em outras antologias, algumas até mesmo publicadas pela Companhia das Letras.

“Pois eu acho, dona, que nada é terrível demais para uma mente curiosa.” In: A Selvagem, de Bram Stoker, p. 161

Sobre a edição

Edição em capa dura, com um design bonito. Miolo em papel Pólen Soft e uma diagramação ok.

Cada conto internacional foi traduzido por um tradutor diferente, e são bons trabalhos, quanto a isso a qualidade é assegurada.

“[…] a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento.” In: A causa secreta, de Machado de Assis, p. 85-86

Conclusão

O título dessa antologia é bem chamativo, quem a adquire espera algo muito bom. Todavia, não é bem assim. A seleção dos contos não é a melhor, há muitas histórias enfadonhas, chatas, que não assustam, muito menos entretêm. Sim, alguns contos são muito bons, realmente clássicos de seus autores, mas são poucos. A edição é composta por contos de autores internacionais e nacionais, o que a deixa bem variada e distinta; o leitor terá a oportunidade de conhecer diversos autores, nomes nacionais que escreveram terror, e é sempre bom conhecer “novos” autores. Ao todo, são dezenove contos, sendo que dezesseis estão em domínio público. Há um conto, inédito no Brasil, de H. P. Lovecraft e uma nova tradução do conto ‘A loteria’, de Shirley Jackson, as únicas coisas que essa edição apresenta de novidade. A leitura, em geral, não agrada. É um livro que vale mais como um documento histórico e pelo conhecimento de autores nacionais. Uma decepção.

“Os demônios e fantasmas são criações do fanatismo e da superstição.” In: Esperidião, de George Sand, p. 21

Minha nota (de 0 a 5): 3

Alan Martins

Livro Contos Clássicos de Terror Meu
A edição está bonita.
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Apresentação – Julio Jeha, 7
GEORGE SAND – Esperidião, 11
WALT WHITMAN – Morte na sala de aula, 25
EDGAR ALLAN POE – O barril de Amontillado, 35
R. L. STEVENSON – O ladrão de corpos, 45
MACHADO DE ASSIS – A causa secreta, 73
VILLIERS DE L’ISLE-ADAM – A tortura pela esperança, 87
THOMAS HARDY – Bárbara, da Casa de Grebe, 97
BRAM STOKER – A selvagem, 147
H. G. WELLS – Pollock e o homem do Porroh, 167
HENRIQUE COELHO NETO – A tapera, 191
W. W. JACOBS – A mão do macaco, 233
JOSEPH CONRAD – A Fera, 249
JOÃO DO RIO – Emoções, 281
HUGH WALPOLE – O tarn, 291
H. P. LOVECRAFT – Na cripta, 311
HUMBERTO DE CAMPOS – Os olhos que comiam carne, 327
SHIRLEY JACKSON – A loteria, 335
LYGIA FAGUNDES TELLES – Venha ver o pôr do sol, 349
STEPHEN KING – Vovó, 361


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

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Autor: Alan Martins

Graduado em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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