Minhas Leituras #97: A pequena caixa de Gwendy – Stephen King & Richard Chizmar

A pequena caixa de Gwendy Livro King

“História rasa e crua”

Título: A pequena caixa de Gwendy
Autores: Stephen King & Richard Chizmar
Editora: Suma
Ano: 2018
Páginas: 168
Tradução: Regiane Winarski
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“[…] segredos são um problema, talvez o maior de todos. Pesam na mente e ocupam espaço no mundo.” (KING, Stephen; CHIZMAR, Richard. A pequena caixa de Gwendy. Suma, 2018, p. 28)

Certo dia, Stephen King acordou cedo e começou a escrever, como ele faz todos os dias. Uma nova história, então, tomou forma, todavia, ele não conseguiu desenvolvê-la. King resolveu entregá-la a seu amigo Richard Chizmar, para que ele a finalizasse. O resultado dessa experiência foi uma história rasa e crua, que se parece bem pouco com um trabalho “kinguiano”.

Os autores

Considerado o maior nome da literatura de terror da atualidade, Stephen King dispensa maiores apresentações. Ele é autor de grandes sucessos, como ‘It: a coisa’, ‘O iluminado’ e a série ‘A torre negra’. Muitos de seus filmes foram (e ainda são) adaptados para o cinema, fazendo com que King seja não apenas uma influência para outros autores, mas também para diretores e produtores.

Richard Chizmar é o fundador da Cemetery Dance Publications, uma editora dedicada ao horror e suspense, onde também trabalha como editor. Ele também contribui para revistas e antologias e, no caso de ‘A pequena caixa de Gwendy’, teve a grande oportunidade de colaborar com um autor famoso, “de peso”.

“É normal. Querer saber coisas e fazer coisas é o que move a raça humana.” p. 21

Drama adolescente

A história acontece em um cenário já conhecido para os leitores de King, a cidade fictícia de Castle Rock, que já foi cenário para os livros ‘Cujo’, ‘A metade negra’ e ‘Trocas macabras’. É interessante essa sensação nostálgica da cidade, o que tem tudo a ver com o universo “kinguiano” ser todo interconectado.

Como protagonista, temos a jovem Gwendy Peterson, de doze anos de idade. Ela vive um drama pessoal: sente-se desconfortável consigo mesma, por estar acima do peso, sofre bullying por conta disso e seus pais já não são formam um casal tão unido assim. Gwendy passou a se exercitar para emagrecer e, um dia, enquanto corria, ela se depara com um homem misterioso em um parque. Seu nome é Richard Farris (referência a Randall Flagg), que a oferece uma caixa repleta de botões que podem causar efeitos desastrosos em alguma parte do mundo, ou até mesmo afetar uma pessoa em particular.

Com essa caixa, que também é capaz de produzir chocolates mágicos em formatos de animais, a vida de Gwendy mudará para sempre. Sua transformação será tanto física, quanto psicológica, pois ela precisará aprender a viver com uma grande responsabilidade em mãos, um segredo que deve ser guardado a sete chaves.

“[…] porque as pessoas são curiosas. Quando veem uma alavanca, querem puxá-la. E quando veem um botão, querem apertá-lo.” p. 22

Pouco desenvolvimento

Estamos falando de um livro que tenta apresentar um mistério com a caixa e seus poderes, assim como com a aparição de Richard Farris. Isso até que deixa o leitor curioso, porém não são mistérios que prendem tanto a atenção, pois a narrativa é corrida e pouco desenvolvida, não dá tempo para que isso aconteça.

Trata-se de um enredo simples, mais um drama adolescente (Hollywood já nos apresenta centenas deles), que ainda tenta passar uma mensagem bem clichê de que “aquilo que importa é como você é por dentro”. Maneiro, mas não é algo que se espera de um livro com o nome de Stephen King estampado na capa. Parece que o livro é muito politizado.

Tudo acontece muito rápido, não dá tempo de se apegar a alguma das personagens. King não conseguiu ir adiante com essa história e passou a bola para Richard Chizmar, que, ao que parece, tinha apenas um objetivo em mente: terminar logo o livro, mesmo que de maneira porca, relaxada.

Nada nesse livro funciona muito bem, faltou polimento, até parece se tratar de um rascunho que necessitava de uma maior lapidação, alguns retoques, um pouco mais de corpo. O conceito até que é interessante, todavia sua execução foi precária. Uma pena. Poderia ter sido mais um drama adolescente, entretanto, com algo a mais. Não é o caso.

“[…] as coisas não ficam bem, mas melhoram.” p. 125

Sobre a edição

Edição em capa dura, com uma arte muito bonita e chamativa. Miolo em papel Pólen Bold, boa diagramação, com margens estilizadas, que dão um aspecto interessante.

Tradução de Regiane Winarski, um bom trabalho para um livro simples e sem maiores desafios linguísticos. É interessante que essa tradutora vem trabalhando em diversas obras de Stephen King, o que contribui para que ela conheça mais sobre o trabalho do autor, o que pode refletir na qualidade de suas traduções.

Essa edição contém algumas ilustrações, feitas pelo artista Keith Minnion, que já contribuiu com diversos autores.

“Dá para usar o se pra um monte de coisa até enlouquecer, minha garota.” p. 157

Conclusão

Enredo simples, narrativa pouco desenvolvida, personagens esquecíveis, tudo feito com muita pressa. Não há nenhum aprofundamento em nenhum momento, os capítulos são curtos e superficiais. Existe um mistério que acompanha toda a história, porém não é nada muito surpreendente. Ainda por cima há uma mensagem (bem rasa) por trás, sobre ser uma pessoa melhor, o que não é algo que um leitor de Stephen King espera (parece uma obra do John Green com uma pitada de mistério e suspense). King não conseguiu desenvolver essa história e passou-a a Richard Chizmar, que acabou fazendo um trabalho bem meia-boca, às pressas, sem desenvolver suas personagens e todo o mistério sobre a caixa mágica que a protagonista Gwendy recebe do misterioso Richard Farris. No início da leitura a jovem tem apenas doze anos e a vemos crescer, acompanhamos sua adolescência até a chegada da vida adulta, e tudo isso de maneira rápida, o que acaba fazendo com que o leitor não se envolva tanto assim com a personagem, que poderia ter sido muito mais desenvolvida. Há momentos de ação que são legais, o que não salva o resto. Tudo poderia ser melhor, parece que a pressa estragou tudo, ou a falta de habilidade de quem escreveu a maior parte do livro. Enfim, poderia ter sido uma obra mais interessante.

“Você vai entreter as pessoas, o que é maior dom que um homem ou uma mulher pode ter.” p. 159

Minha nota (de 0 a 5): 2

Alan Martins

Livro A pequena caixa de Gwendy Stephen King
Uma edição estilosa, pena que a história é fraca.

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Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

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Autor: Alan Martins

Graduado em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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