Depois, de Stephen King – Uma resenha

Resenha de Depois, novo livro de Stephen King, onde ele nos apresenta James Conklin, um menino que vê e fala com gente morta! Será que descobrir os segredos dos mortos é uma coisa boa?


Resenha do livro Depois, de Stephen King: capa da obra, com uma mulher sentada no capô de um carro, um garoto está ao fundo

A partir da última década, Stephen King passou a publicar diversos romances policiais, que não são bem o seu forte. Depois segue essa infeliz tendência, entretanto, procura, ao mesmo tempo, navegar pelo terror, gênero que consagrou o Mestre.

Como Cole Sear, do filme O sexto sentido, James ‘Jamie’ Conklin também é um garoto que vê gente morta. Apesar de King mencionar o longa algumas vezes, ele segue outro caminho, que difere daquele tomado por M. Night Shyamalan.

Depois é um bom livro? É o que vamos descobrir agora. Para isso, continue lendo!

Dom ingrato

Ser capaz de ver e de conversar com pessoas que já morreram parece ser algo bem assustador. Quem é que gostaria de possuir tal habilidade? Por outro lado, ter uma última oportunidade para falar com um falecido conhecido não parece ser má ideia, ainda mais se o espectro pudesse relatar um segredo.

Jamie Conklin, quando criança, descobriu sua peculiaridade. A primeira experiência não foi tão legal — mas quase nenhuma é. Ele vive com sua mãe, Thia, uma agente literária em ascensão, que acaba comprando a ideia de que seu filho vê gente morta (mãe é mãe). Contudo, Liz Dutton, uma policial e namorada de Thia, mostra-se mais relutante em acreditar no rapaz. Mesmo presenciando provas “concretas”, ela ainda continua cética.

Anos depois, Liz, que não é um exemplo de profissional, precisa deixar seu ceticismo de lado, pois o dom de Jamie pode ajudá-la na resolução de um caso. Agora o rapaz está em perigo, uma vez que mexer com aqueles que já morreram pode nem sempre ser uma boa ideia. Eles podem te assombrar!

Cadê o bom e velho King?

Faz tempo que o autor não publica algo realmente bom. Está complicado ler suas obras mais recentes, nenhuma empolga, têm sabor de genéricas. Parece que qualquer coisa que King escreve é publicada. A quantidade superou a qualidade, não é de hoje. Afinal, ele vende, o que é vantajoso para os editores. Sendo assim, fico sem entender como os fãs engolem tanto livro ruim. Caso encontrem opiniões contrárias, ficam cegos e nervosos. Às vezes, acho que falta olhar crítico.

No começo, até pensei que Depois seria diferente. Empolguei-me em vão. Há quase nenhum desenvolvimento e os personagens são chatos. A história é narrada em primeira pessoa pelo próprio protagonista, já adulto. Existem algumas marcas de estilo do narrador, umas bem irritantes, como sua tendência de sempre querer lembrar o leitor de que se trata de uma “história de terror”. Ou seja, quem lê é forçado a acreditar se tratar de terror. Mas, cadê o medo?

Meu amigo, quando pego um livro do Mestre, o mínimo que espero é terror! Não preciso ser lembrado a cada página de algo que já sei. Além disso, o enredo acaba ficando muito óbvio antes da metade. Sem falar em um certo ritual que surge, inesperadamente, para resolver o problema do protagonista. Uma referência a uma obra bem famosa, inserida de maneira pouco orgânica.

Da mesma forma, seria pouco orgânico tecer elogios. Foi só decepção!

Sobre a edição

Brochura, capa com orelhas, miolo em papel Pólen Soft, design da publicação original. A fonte do texto poderia ser maior, e há alguns erros de revisão (a tal da pressa para publicar logo).

Tradução competente de Regiane Winarski, apesar de eu achar que, em certas ocasiões, determinados termos, escolhidos por ela, não foram os mais apropriados. Também não compreendo a mania que os tradutores têm de verter o termo inglês “liberal” para o nosso “liberal”. Nos EUA, quem se identifica como “liberal”, se identifica com ideias mais “de esquerda”, progressistas. Os democratas são “liberals”. No Brasil o “liberal” é o termo clássico da Inglaterra, uma pessoa que defende o livre mercado e menos intervenção do Estado na economia. É só um detalhe, todavia, um capaz de gerar ambiguidade.

Conclusão

Hora do trocadilho infame: siga o título, deixe o livro para depois (Ba Dum Tss). Stephen King tem coisa muito melhor para ser lida, principalmente suas obras clássicas. Pegue minha dica, vai ser melhor. Porém, se você é curioso, arrisque, talvez acabe gostando.

Enredo sem empolgação e previsível. Pode ser uma leitura para passar o tempo, visto que é um romance curto. Aliás, se fosse um conto, ou novela, poderia ser mais efetivo. Pois senti que estava lendo um conto, não um romance.

Como já li vários livros do autor, estou notando muita repetição, de temas, propostas, detalhes e, sobretudo, de metáforas. Estou perdendo a conta de quantas vezes os joelhos de alguém, ao sentir medo, viraram geleia!

Enfim, fraco.

Nota (de 0 a 5): 2,5 ⭐

Análise do livro Depois, Stephen King: detalhes do livro, capa, contracapa, e primeiras páginas
Mais uma decepção com o autor…

Ficha técnica

Título: Depois
Autor: Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Suma
Ano: 2021
Páginas: 192
ISBN-10: 8556511120
Encontre esse livro na Amazon: https://amzn.to/32HRv3e

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Abraço.


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Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Autor: Alan Martins

Graduado em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico. Atualmente graduando em Letras.

Nenhum pensamento

  1. Bom dia! Sou fã de carteirinha de suas publicações, apesar de não comentar muito. Gostaria de enviar meus dois últimos livros pra você. Pede me fornecer um endereço?! Bom final de semana! Abraço

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