Eu sou a lenda, de Richard Matheson – Uma resenha

Resenha de Eu sou a lenda, livro de Richard Matheson que revolucionou as histórias de vampiros ao unir os gêneros horror e ficção científica.

Análise do livro Eu Sou A Lenda: na imagem, o protagonista, portando uma estaca, e seu cachorro lutam contra vampiros que tentam agarrá-los

Publicado pela primeira vez em 1954, Eu sou a lenda fez bastante sucesso e, desde então, já foi adaptado para o cinema em três ocasiões. A última, e talvez a mais conhecida (porém não a mais fiel), traz Will Smith no papel principal e chegou às telonas no final de 2007.

Além de popular, o romance de Matheson serviu de inspiração para autores e diretores de sucesso, como o mestre dos filmes de zumbis George A. Romero (A noite dos mortos-vivos, de 1968) e Stephen King, o mestre dos livros de terror.

A despeito de todos esses elogios e palavras positivas, não gostei tanto assim da obra. Quer saber o motivo? Então vamos lá!

Solidão

Palavra que define bem o clima gerado pelo enredo, ambientado na metade final dos anos 1970. Robert Neville, o protagonista, aparentemente é o único sobrevivente de uma pandemia que matou a maior parte da população dos Estados Unidos. Aqueles que sobreviveram não foram tão afortunados, visto que acabaram se transformando em vampiros.

Dessa forma, Neville não está totalmente sozinho no mundo. Ao cair da noite, muitos desses vampiros se dirigem à sua casa, importunando-o em busca de algumas gotas de sangue. Para lidar com seus adversários, o protagonista se valerá de artifícios clássicos, como alho, crucifixos e estacas de madeira. O dia é seu aliado e cada segundo é precioso.

Sozinho num mundo habitado por tais criaturas, Neville terá de enfrentar não apenas os predadores, mas também sua própria consciência, afinal a ideia de ser o único humano vivo pode afetar a sanidade mental de qualquer pessoa.

Após anos de solidão, já sem quaisquer perspectivas, as esperanças de Robert Neville serão renovadas e sua vida poderá tomar novos rumos… ou não.

Caminho árduo para uma decepção

Mesmo sendo centrada em somente um personagem, com poucos diálogos, a narrativa de Eu sou a lenda não é nada monótona. Matheson está sempre mostrando algo novo, uma conquista, uma aventura pelas ruas abandonadas ou um flashback.

Robert Neville, no início, luta contra os próprios impulsos sexuais, uma vez que está privado do sexo. No desenrolar da trama, ele acaba fazendo descobertas que lhe dão novas perspectivas e colocam sua libido em hibernação. Ou seja, temos um estudo psicológico do personagem, ainda que senso comum.

Seu mundo foi devastado por uma pandemia, então deveria haver uma explicação para o surto de vampirismo, do qual é imune. E essa é outra inovação do autor, que tentou apresentar uma resposta “científica” para seus vampiros. Neville descobre a causadora de todo o problema, e contar seria um spoiler.

Agora há uma razão para o protagonista desejar se manter vivo: a existência de uma cura é uma realidade plausível. Enquanto lida com os vampiros, ele terá muito tempo para pesquisar. Entretanto, Richard Matheson deu um rumo inesperado para sua história, em um sentido negativo. Que surpresa ruim!

Sobre a edição da Aleph

Ótimo design gráfico, em capa dura, com diversas ilustrações e miolo em papel Pólen Soft. A diagramação é um pouco estranha (apesar de confortável), pois possui margens largas, que poderiam ter sido melhor aproveitadas, acarretando em menos páginas. O tamanho físico da edição é um pouco reduzido (20cm x 12,8cm), fugindo dos padrões adotados pelas editoras.

Tradução de Delfin (isso mesmo, só Delfin). Um bom trabalho, até porque não se trata de uma obra complexa, de escrita refinadíssima. Nenhuma crítica em relação a esse quesito. A Aleph acrescentou dois extras: um texto acadêmico de Mathias Clasen e uma entrevista com Matheson.

Vale a pena ler? O veredito

Romance que mistura horror e ficção científica, com o mérito de levar as histórias de vampiro para um cenário urbano. Matheson criou um ambiente pós-apocalíptico que exibe toda a tensão, medo e incerteza da década de 1950. A Guerra Fria assombrava a população estadunidense daquela época.

Leitura rápida e de tirar o fôlego. Não existe tempo para pausas, novidades pipocam nas páginas a todo instante. A busca de Robert Neville por uma possível cura é cativante, torcemos por ele.

Todavia, o caminho tomado pelo autor foi decepcionante. O desfecho desanima. Assim que terminei a leitura pensei: tanto esforço para isso? Stephen King não consegue escrever bons finais e já afirmou, “Livros como Eu sou a lenda foram uma inspiração para mim”. Ora, ora, parece que os pontos se conectam (brinks!).

Resumindo, o enredo me cativou, me prendeu, e depois me decepcionou. Apesar disso, vale a pena conhecer a história, que é capaz de entreter. O final não foi do meu agrado, mas pode ser do seu!

Nota (de 0 a 5): 3 ⭐

Eu Sou A Lenda pela Editora Aleph: detalhes da edição, em capa dura e ilustrada
Mandaram muito bem no design, você não acha?

Ficha técnica

Título: Eu sou a lenda
Autor: Richard Matheson
Tradução: Delfin
Editora: Aleph
Ano: 2015
Páginas: 384
ISBN-13: 9788576572718
Encontre esse livro na Amazon: https://amzn.to/3qzILWX


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Licença Creative Commons
Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Autor: Alan Martins

Graduado em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico. Atualmente graduando em Letras.

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