Minhas Leituras #96: Sobre a brevidade da vida – Sêneca

Sobre a brevidade da vida Livro Sêneca

“Viva e aproveite o tempo vivido”

Título: Sobre a brevidade da vida
Autor: Sêneca
Editora: Penguin-Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 80
Tradução: José Eduardo S. Lohner
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“Então, não há motivo para pensares que alguém viveu longamente só por causa dos cabelos brancos ou das rugas: ele não viveu longo tempo, mas existiu longo tempo.” (SENECA, Lucius Annaeus. Sobre a brevidade da vida. Penguin-Companhia das Letras, 2017, p. 18)

Uma das poucas certezas que temos sobre a vida é a de que ela é curta, breve. Vida e tempo estão relacionados, ambos são escassos. Viver bem é aproveitar da melhor forma possível o tempo de nossas vidas. É o que vai nos falar Sêneca, um dos maiores filósofos estoicos, com seus poderosos insights.

Influente

Lucius Annaeus Seneca (em latim) nasceu em Córdova, Hispânia, no ano 4 a.C. Cresceu em Roma, onde praticou retórica e filosofia. Foi um homem muito influente, tornando-se membro do senado romano e, posterirormente, foi nomeado questor, um cargo público relacionado à justiça criminal.

Por sua grande influência pública e política, Sêneca despertou inveja no imperador Calígula, que tentou assassiná-lo. Porém, em 49 d.C., foi exilado, acusado de adultério. Durante o exílio, compôs algumas de suas obras mais importantes, sendo este um autor da chamada “Era de prata da literatura latina”.

De 54 a 62 d.C., Sêneca atuou como conselheiro do imperador Nero, que ficou conhecido por sua perversidade. A influencia do filósofo declinou e ele foi afastado da vida pública. Tirou a própria vida em 65 d.C., após ser acusado de participar de uma conspiração para assassinar Nero. Sua esposa, Pompéia Paulina, seguiu os passos do marido e também cometeu suicídio, cortando os pulsos.

“É assim que acontece: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos; dela não somos carentes, mas pródigos.” p. 9

O tempo é curto

Não temos aqui uma leitura difícil, não se trata de um texto filosófico complexo. O livro é bem curto e direto. ‘Sobre a brevidade da vida’ foi escrito no formato de uma carta, endereçada a Paulino.

Tendo em mente que os estoicos buscavam a sabedoria, ficará mais fácil compreender as palavras de Sêneca. Todos nós sabemos que a vida é curta e que ter tempo para si é algo raro. Temos diversos compromissos, trabalhamos, temos uma vida social, enfim, muita coisa acaba passando na frente dos interesses pessoais.

Para crescer como ser humano, para atingir a sabedoria, Sêneca diz para pararmos de nos preocupar com essas coisas banais, parar de se preocupar com o trabalho após o fim do expediente, parar de ficar tentando agradar todo mundo. É preciso pensar um pouco mais em si mesmo, buscar uma elevação da alma.

Isso seria possível com um bom investimento do tempo, buscando se tornar mais sábio. Para o autor, o tempo bem investido é aquele que você utiliza para se tornar mais sábio, estudando, por exemplo. As coisas mesquinhas apenas nos fazem perder tempo, que é escasso. Tem gente que vive oitenta anos, mas apenas cerca de oito desses anos essa pessoa viveu para si, o restante foi dedicado a banalidades, ou seja, viver muito não quer dizer viver bem.

“Brevíssima é demasiado angustiosa é a vida daqueles que se esquecem do passado, negligenciam o presente e temem o futuro.” p. 30

Sábio que não se abala

A primeira metade desse livro é composta por ‘Sobre a brevidade da vida’, a outra metade apresenta outra obra, ‘Sobre a firmeza do sábio’, também escrita de forma epistolar, mas dessa vez dedicada a Sereno.

Aquilo que foi lido no primeiro texto servirá como base para a leitura do segundo. Todavia, agora o foco do pensamento do Sêneca é outro: ele irá falar sobre como o sábio não se deixa abalar por qualquer coisa.

Nesse caso, ser sábio não está diretamente relacionado a ser a pessoa com o intelecto mais elevado de todos, trata-se, na verdade, de uma inteligência emocional. Sêneca diz que o sábio não é afetado por mentiras, por palavras e atos que visam apenas denegrir a imagem de alguém. Claro que essa as injurias chegam ao sábio, ele não as repele, ele não é imune. Porém o sábio não se deixa ser afetado, ele sabe que aquilo é apenas um ato de maldade e não perde o controle; ele sabe lidar com as intempéries da vida.

Em suma: a vida vai sempre te dar umas porradas, mas o sábio não irá se afetar por meras acusações caluniosas, por bobagens. Como o primeiro texto diz, há outras coisas mais importantes para se importar durante a vida, que é muito breve.

“Não é invulnerável algo que não recebe um golpe, mas aquilo que não sofre ferimento.” p. 42

Sobre a edição

Edição que segue o padrão Penguin para livros que apresentam grandes ideias, ou seja, capa nas cores azul e creme. Brochura, capa sem orelhas, miolo em papel Pólen Soft, boa diagramação.

Tradução (direta do Latim) de José Eduardo S. Lohner, doutor em letras clássicas e docente da Universidade de São Paulo, onde atua na área de Língua e Literatura Latina. Ótima tradução, que apresenta notas explicativas, que vão ajudar o leitor a se contextualizar melhor, deixando a leitura mais didática.

“Assim, quem é afetado por uma contumélia mostra que em si mesmo não há nenhuma sabedoria nem confiança.” p. 51

Conclusão

Um livro bem curto, de leitura simples, com ótima tradução e notas explicativas. Sêneca apresenta grandes insights sobre um tema que tira o sono das pessoas desde, praticamente, sempre: a brevidade da vida. Como um bom estoico, o autor acreditava que uma vida bem vivida seria aquela onde a pessoa busca um desenvolvimento pessoal, investindo o tempo livre não em banalidades, mas sim em estudos, no conhecimento, buscando se tornar um “sábio”. Essa edição também contêm o texto ‘Sobre a firmeza do sábio’, que vai expor como nos deixamos ser afetados por banalidades, por coisas nada importantes, que nem deveriam nos abalar. O sábio seria aquele que sabe lidar com os problemas da vida, sem ser afetado por eles, pois sabe que a vida é breve demais para se importar com isso. São dois textos que se complementam e que, mesmo hoje, fazem muito sentido, são muito atuais. Leitura rápida e prazerosa, que vai fazer você pensar um pouco a respeito da vida, se você está realmente investindo seu tempo em atividades produtivas, ou se está apenas desperdiçando esse bem tão escasso.

“Ninguém vai restituir os teus anos, ninguém vai devolver-te de novo a ti mesmo. A vida segue a trajetória que iniciou e não retrocede ou detém seu curso.” p. 19

Minha nota (0 a 5): 4

Alan Martins

Livro Sobre a brevidade da vida Sêneca
Edição simples, seguindo o padrão Penguin.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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