As eleições vão terminar, mas a luta pela liberdade continua

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro
Imagem: PT, Flickr & EBC, Flickr. Publicadas sob Licença (CC BY 2.0).

Leia este post antes de idolatrar algum político


Chegamos à decisão final das eleições de 2018 e, infelizmente, de uma maneira nada animadora. Para presidente, temos dois candidatos que estão muito longe do ideal — se você é uma pessoa que preza pela liberdade, deve pensar da mesma forma, espero.

De um lado, temos um cara que já falou muita besteira, defendendo o indefensável, do outro, temos um representante de um partido político atolado em escândalos de corrupção, além de ser alvo de investigações. Se você queria um cenário político ruim para o Brasil, você conseguiu algo muito “melhor”.

Essas eleições foram extremamente polarizadas, é um lado contra o outro, sem qualquer possibilidade de união ou apoio, o que acaba refletindo em boa parte do eleitorado. Vença quem vencer, a oposição será grande, cada passo do próximo presidente será vigiado, vão pegar no pé por qualquer coisinha que desagrade um lado. Toda essa polarização gerou uma espécie de torcida organizada, que não aceita ouvir opiniões contrárias, sem paciência para debater ideias. É isso e pronto, acabou, se você discorda, está errado.

Pois é, estamos presenciando um fanatismo, com pessoas idolatrando políticos (um erro grave, é a mesma coisa que idolatrar alguém que entra na sua casa, te rouba e te violenta). Há aquele chamado de “mito”, já o outro não é ovacionado assim, mas representa uma figura “quase divina” (e que está na cadeia). Será que esses caras aí te representam? Porque eu não consigo me ver representado por nenhum deles.

Isso leva a outro ponto: “ninguém me representa, votarei em branco, ou anularei meu voto”. Não me parece uma boa ideia pagar de isentão, afinal, você sofrerá as consequências do mesmo jeito (a menos que você esteja planejando se mudar para outro país). Se você imagina um Brasil totalmente diferente, não é deixando de votar que vai conseguir algo. Não adianta negar a realidade: teremos que votar em alguém, se uma mudança radical ocorrer algum dia, não vai ser de uma hora para outra, será um processo longo, todavia, esse pode ser um ponto de início. Quem não vota, fica com o sentimento de que, se o próximo governo for muito ruim, talvez poderia ter feito a diferença elegendo o outro candidato, haveria a chance de uma mudança, mesmo que pequena. E quem vota tem responsabilidade em dobro: além de cobrar seu candidato, terá que admitir seus erros, sem se fingir de cego perante os fatos.

Independente de quem vir a ser o próximo presidente do Brasil, a liberdade individual de cada um está em risco, ainda. Tem gente que quer controlar a imprensa, controlar aquilo que é dito, bloquear aplicativos de mensagens, tem os que gostam do militarismo, de controle, de armas (a expressão “controle social”, que foi muito utilizada nessas eleições, me enoja). Algumas ideias se divergem, entretanto, o estado (em caixa baixa mesmo) brasileiro continuará aí, inchado, custoso, ineficiente e prejudicial a todos. Continuaremos sendo extorquidos com os impostos absurdos — nunca vi alguém dizer que paga imposto porque quer e porque gosta, e mais, se você deixar de pagá-lo, sofrerá repressão, algum tipo de violência. Esse papo de imposto é complicado, mas é difícil encontrar uma moralidade em sua prática, além do fato de nossos impostos serem abusivos e numerosos. Também continuaremos bancando toda essa máquina estatal, todos esses políticos que não fazem nada para receber o salário que recebem, sem falar nos “benefícios”. Será mesmo necessário o número de senadores e deputados que temos?

Por fim, pare de idolatrar qualquer político, sério. Eles só “trabalham” com o dinheiro que tiram da população, por meio de impostos. Nenhum deles faz algo tirando do próprio bolso e, por traz de um suposto altruísmo, há muito interesse pessoal e partidário, há intenção da manutenção do poder (uma vez lá no topo, ninguém que descer). E coloque em sua mente que nada é de graça; como dizem, não existe almoço grátis. Se você utiliza um serviço público e “gratuito”, saiba que você já pagou por ele, uma vez que são serviços custeados com a arrecadação de impostos. Quando um desses serviços públicos é ineficiente (e a maioria é), e o cidadão opta por pagar por um serviço particular, privado, ele acaba pagando duas vezes.

O estado é a instituição que mais violenta o indivíduo, e o resultado dessas eleições não vai mudar isso. Nenhuma mudança brusca acontecerá, apesar de que há uma possibilidade, mínima, de melhora. Não há nenhum salvador da pátria, sua liberdade ainda será tolhida; é o que acontece no Brasil, onde há pouca liberdade econômica, individual, de imprensa, de expressão, de todo tipo. Diminuir o tamanho desse estado altamente controlador, seria uma saída. Infelizmente, não é algo que acontecer de imediato. Por isso, fique ligado, deixe de fanatismo. Sua liberdade é mais importante que tudo. Não se iluda com discursos bonitos, com propostas populistas, porque ainda continuaremos nas mãos desse monstro estatal. Quer lutar por uma mudança? Então lute por um estado menos intervencionista e menor.

P.S. No primeiro turno, você elegeu um deputado estadual, um federal, dois senadores, e também votou para governador. Cobre tudo aquilo que prometeram. Damos muita atenção aos candidatos a presidente e acabamos nos esquecendo dos demais cargos, que desempenham um papel determinante em tudo, já que o presidente não decide tudo sozinho.

P.S. 2. Essa foi apenas a minha opinião. Discordar dela é um direito seu. Pode comentar aí, aqui você tem liberdade para isso, não há violência, muito menos repressão. Debate saudável é isso, argumentar e contra-argumentar ideias, sem precisar baixar o nível.

Alan Martins


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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

9 pensamentos

  1. Ainda não consegui responder, mas veio-me uma pergunta assim: “quem gasta melhor o seu dinheiro?” penso que é uma pergunta com a resposta já dentro dela. se a resposta for “qualquer pessoa, menos eu”, então podemos agradecer ao ladrão por livrar-nos do mal do dinheiro 😀 ou o Estado e qualquer político que queira aumentar o Estado com mais e mais ministérios e secretarias. trabalhei nas eleições e vi muitas pessoas anulando o voto. e vi outras que não tem noção nenhuma de nada 😦 texto muito bom o seu. muito obrigado pelo equilíbrio. tenho visto muita histeria dos eleitores do Haddad. do lado do Bolsonaro, pelo que vi, acalmaram-se depois de festejar.

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    1. Eu responderia que, quem gasta melhor o meu dinheiro, sou eu mesmo, afinal eu seu daquilo que preciso e daquilo que quero, diferente dos políticos, que desconhecem o Brasil e sua população, país gigante e populoso (é difícil conhecer todos os problemas do país mesmo, é muito grande). No fim, decidimos quem vai colocar a coleira no povo e guiá-lo. Por isso tanta gente vota no “menos pior”. A rejeição nessas eleições foi incrível, o número de votos brancos e nulos foi bem grande. Isso é um sinal de que o povo está de saco cheio da velha política, de tanta burocracia. As pessoas querem liberdade para serem felizes como bem entenderem, não querem políticos ditando regra, dizendo o que devemos fazer.
      Obrigado pela visita e pelas palavras sensatas.
      Grande abraço.

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      1. Sobre a burocracia e sobre as pessoas não quererem políticos ditando regra, lembrei-me de dois livros. Não posso falar sobre, porque, infelizmente, ainda não os li, só lembrei mesmo: “Burocracia”, de Ludwig Von Mises; “O Estado Babá”, de David Harsanyi. Muito obrigado também. Grande abraço!

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      2. You’re welcome, manolo Alan Martins! Grande abraço! Depois procure por mais livros da Escola Austríaca no site libgen.io e procure por Instituto Ludwig von Mises Brasil no tópico publisher.

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  2. Não voto no Brasil, porque não pedi cidadania, não me sinto brasileira, sou uma estrangeira (mais uma) a viver cá. Descordo de tantas coisas, e concordo com poucas, quase nenhuma. O que mais me incomoda é a questão da diferença social e a limitação do povo, enquanto conhecer a própria história. A recusa ao dialogo e a preferência por figuras públicas horríveis. Tenho uma lista de humanos eleitos que me surpreendeu e as justificativas para confiar a eles o voto foi o mais estranho possível.
    Enfim, quero acreditar que seja um problema relacionado a fragilidade do sistema democrático, no Brasil e ao longo período ditatorial, sem acesso as informações e, principalmente a anistia dada ao Estado, que precisa ser paternalista para saldar a imensa dívida histórica para com o país.
    Enfim, eu que sou de fora e preservo o olhar estrangeiro, observo com receio o resultado das eleições.

    bacio

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    1. A população realmente precisa de mais informações sobre tudo o que acontece aqui, sobre história, sobre o sistema político, sobre as leis, economia e toda a burocracia. Talvez, se mais gente tivesse essas questões mais esclarecidas, o país estaria em uma situação melhor. Mas parece que a classe política só tenta se manter no poder, não há a preocupação em esclarecer e elucidar a população. Se aproveitam das fragilidades, com mentiras. O populismo ainda impera.
      Obrigado pelas palavras.
      Abraço.

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