Breve história do Hospital

Hospital fachada cruz vermelha japão
Imagem de アラツク, publicada sob Licença (CC BY-SA 4.0). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/.

Procurar o atendimento em um hospital, hoje, é algo bem simples e rotineiro. Temos em mente toda uma imagem sobre o ambiente que encontraremos, as variedades de profissionais e de especialidades. Porém, historicamente, o hospital nem sempre existiu dessa forma que conhecemos hoje.

A palavra hospital vem do latim hospes (hóspede), que deu origem a hospitalis e hospitium (designação do lugar onde se hospedavam viajantes, enfermos e peregrinos). Um estabelecimento ocupado por pobres, incuráveis e insanos era chamado de hospituim (hospício, termo utilizado para se referir a um hospital de psiquiatria).

Os médicos da Grécia, Egito e Índia antigos aprendiam medicina junto aos templos e atuavam no domicilio das pessoas enfermas. Em templos da Grécia, os enfermos eram colocados ante a estátua de um deus, para que, em associação a medicamentos, os sacerdotes pudessem curá-los. Em diversas estradas da Índia antiga, foram criadas construções “hospitalares”, que seriam utilizadas como locais de descanso e tratamento para o exército e civis.

Antigamente, os hospitais funcionavam como um depósito de pessoas doentes, não se tratando de uma função terapêutica, mas sim social. O que passou a mudar com a influência do cristianismo, quando as pessoas passaram a se preocupar em fazer o bem ao próximo, oferecendo socorro aos necessitados. Dessa forma, no ano 360, em Óstia, Itália, surge o primeiro hospital com a finalidade de restaurar a saúde e prestar assistência.

Com o desenvolvimento da medicina, o hospital também passou a evoluir. Surgiu na Inglaterra, em 1084, o primeiro hospital especializado, o Hospital St. Bartholomew, focado no combate da lepra-hanseníase. Nesse mesmo país, em 1915, surgiu o Hospital Saint Thomas, famoso pela implantação da primeira Escola de Enfermagem.

Influenciados pela caridade do cristianismo, os primeiros hospitais eram locais de isolamento para pobres, mulheres desamparadas, velhos e doentes crônicos, sob o cuidado de monges e religiosos. Configurava-se como o último recurso oferecido aos pobres, pois os pacientes ricos tratavam-se em suas próprias residências.

Em 1524, na Cidade do México, surgiu o Hospital Jesus de Nazareth, o primeiro hospital das Américas. Em 1538 foi fundada a primeira Santa Casa do Brasil, em Santos. À medida que os portugueses adentravam o interior do território brasileiro, hospitais eram erguidos, e comunidades fundadas.

Nesse primeiro momento da história dos hospitais, o conhecimento que os profissionais tinham era mais sobre o doente do que sobre as doenças. Isso mudou com a identificação de agentes microbianos e as causas de diversas doenças e infecções, dando início ao segundo momento da evolução dos hospitais, que passaram a receber os doentes encaminhados pela natureza ou gravidade das moléstias, oferecendo pessoal e equipamentos especializados.

As primeiras instituições hospitalares ofereciam uma atividade curativa. Porém, o desenvolvimento científico sobre as doenças ofereceu um maior conhecimento sobre técnicas preventivas. Um segundo tipo de instituição surgiu, voltado à prática preventiva: as unidades de saúde.

Esse fato consolidou a especialização de tarefas. Os hospitais não realizavam atividades preventivas, limitavam-se a atividades curativas; as unidades de saúde, por sua vez, raramente atendiam diretamente a população doente.

Superar essa divisão de atendimento foi um fato marcante para o terceiro momento da evolução dos hospitais, que deveriam atuar desde a prevenção até a reabilitação, oferecendo assistência à população como um todo. Para a Organização Mundial da Saúde, o hospital deve oferecer completa assistência médica, preventiva e curativa, incluindo, até mesmo, serviços extensivos à família em seu domicílio.

Um hospital deve ser parte integrante e integrada do mundo atual, não podendo ser desvinculado, nem isolado, da comunidade que pretende servir, adequando-se às suas necessidades e correspondendo às expectativas. Compreende-se o hospital como um todo que procura proporcionar a manutenção do bem-estar físico, social e mental do homem. É uma instituição que reflete a luta do homem contra a morte, com a busca de recursos para a recuperação, reabilitação e promoção de saúde.

Apesar de muitos autores acreditarem que o hospital deve oferecer atendimento à saúde em nível primário, secundário e terciário, no Brasil, com a saúde regida pelo Sistema Único de Saúde, os hospitais prestam serviços de níveis secundário (especialidades) e terciário (tratamentos extensivos, onde há o risco de morte), cabendo às Unidades Básicas de Saúde o atendimento de nível primário (voltado à prevenção e preservação do bem-estar). Esses três setores devem funcionar de modo integral, comunicando-se, encaminhando os doentes de acordo com suas necessidades.

Alan Martins

Referência Bibliográfica

CAMPOS, Terezinha Calil Padis. O hospital: sua história, funções, imagem e significado institucional. In: ______. Psicologia hospitalar: a atuação do psicólogo em hospitais. São Paulo: EPU, 1995a. p. 15-22.


Parceiro
Amazon banner livros universitários
Clique e confira grandes descontos!


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Anúncios

Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s