Maio paralisado

Para o Brasil, dentre tudo o que aconteceu no país em maio, o fato mais marcante foi a greve dos caminhoneiros, que paralisou diversos setores da economia. Um fato muito interessante este, pois evidencia a necessidade de uma reforma radical na política nacional. O Estado brasileiro é inchado, caro e ineficiente; independente de quem o governe, é necessário fazer cortes (começando pelos supersalários de parlamentares, juízes e etc.). Mas, quem disse que político pensa nisso? É mais fácil criar impostos, elevar os preços e as taxas, mas jamais eliminar regalias. Essa greve serve como uma boa reflexão para as eleições que estão por vir; seria interessante fugir de candidatos que estão “loucos no estatismo”.

Vou deixar o assunto polêmico de lado, não é esse o objetivo do post.

Ao contrário do Brasil, que parou, minhas leituras não pararam durante o mês de maio, continuando a todo vapor. Com exceção de ‘A assombração da Casa da Colina’, os livros que li são muito bons e de grande importância para a História e para a Literatura. Um deles, como você verá, é muito importante de ser lido em ano de eleições. Foram leituras bem distintas entre si, livros de gêneros e estilos bem diferentes.

Muita coisa parou em maio, mas, como a vida segue, sigo apresentando o ranking das leituras mensais. Preparado para a lista?


Capa do livro Assombração da Casa da Colina5° A assombração da Casa da Colina – Shirley Jackson (Suma, 2018): Começando pelo que menos gostei. Para ser sincero, retirando as pouquíssimas partes interessantes, digo que esse é um livro ruim, bem ruim mesmo. É uma história vendida como terror, com a editora chamando a autora de “a rainha do terror”. Porém, de terror o livro não tem nada. Um enredo fraco, sem sentido, diálogos bobos e mais sem sentido ainda. Até parece que um mistério vai despontar, e há um questionamento entre realidade e sanidade, mas nada disso engata, nem ajuda o livro a melhorar. A autora prefere ficar nos seus diálogos sem nexo, que são falados por adultos, só que em um nível bem infantilizado. Me surpreende ver alguém que realmente gostou desse livro. Uma narrativa que se parece muito com um episódio de Scooby-Doo, com a diferença de que o desenho animado é muito mais divertido. A bonita edição da editora Suma, em capa dura, não ajuda a salvar o livro, que é ruim. Se quiser compreender melhor minha crítica, leia meu post sobre esse livro AQUI.

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Capa do livro Mrs Dalloway Autêntica4° Mrs Dalloway – Virginia Woolf (Autêntica, 2013): Romance clássico, marcado pelo uso excessivo da técnica “fluxo de consciência”, onde, basicamente, a narrativa se foca nos pensamentos de algum personagem e passa a apresentar seus sentimentos, ideias e lembranças; como o nome da técnica indica, são literalmente fluxos que jorram. Virginia empregou muito essa técnica em obras posteriores, o que marcou seu estilo, revolucionário para a década de 1920, impulsionando o movimento modernista inglês. Infelizmente, hoje já não se trata mais de um estilo inovador. O romance não envelheceu bem, ficou antigo e, apesar de a escrita e o enredo serem bem simples (narrando um único dia da vida de Clarissa Dalloway), o fluxo de consciência deixa a leitura cansativa e monótona, muito descritiva. Há temas interessantes que são abordados por esse livro, como a saúde mental e o papel social da mulher, todavia, o que realmente o marcou foi esse estilo diferente, que inovou uma época. A edição da editora Autêntica é muito bonita, cheia de extras e conta com a brilhante tradução de Tomaz Tadeu. Conheça mais sobre a obra clicando AQUI.

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Bíblia volume II Frederico Lourenço3°  Bíblia: Novo Testamento: Apóstolos, Epístolas, Apocalipse (Companhia das Letras, 2018): Em 2017, a Companhia das Letras publicou o primeiro volume da mais nova tradução da Bíblia, feita diretamente do grego antigo. O projeto do pesquisador e tradutor português Frederico Lourenço visa uma tradução mais próxima dos manuscritos mais antigos, ainda preservados. Trata-se de uma tradução sem ideais teológicos, mas sim literários e semânticos. Esse segundo volume finaliza a publicação do Novo Testamento, apresentado os Atos dos apóstolos, as diversas Cartas e o famigerado Apocalipse. Leitura enriquecedora, independente de qual for a religião do leitor. A sociedade ocidental foi fundamentada nos ideais cristãos, então é de grande importância conhecer a fonte de tudo isso: a Bíblia. Além de todo esse conhecimento histórico, as extensas notas do tradutor são de enorme valor literário, um incrível trabalho, pioneiro na língua portuguesa. Leia mais sobre essa versão crítica da Bíblia AQUI.

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Capa do livro Ficções Jorge Luis Borges2° Ficções – Jorge Luis Borges (Companhia das Letras, 2007): Como o próprio título indica, trata-se de ficções. Entretanto, ao longo da leitura, você irá se questionar se aquilo que está lendo foi inventado, ou se realmente trata-se de um fato. Com uma habilidade fora do comum, Borges, o mestre argentino dos contos, criou histórias que misturam realidade e ficção de uma forma inovadora e extremamente criativa. O livro é uma coletânea de contos bem curtos, de leitura rápida e prazerosa. Num primeiro momento, parece ser um livro “difícil”, ideia que cai por terra assim que a leitura é iniciada. Não é à toa que muitos críticos e autores consideram Jorge Luis Borges um dos mais importantes nomes para a Literatura do século XX. Os contos dessa edição, que faz parte da coleção Biblioteca Borges, publicada pela Companhia das Letras, apresentam boas reflexões, não sendo apenas simples contos, mas sim histórias que fazem o leitor pensar. Borges é um daqueles autores que devem ser conhecidos, pois seus livros são revolucionários. Leia minha resenha AQUI.

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Admirável Mundo Novo livro capa1° Admirável mundo novo – Aldous Huxley (Biblioteca Azul, 2014): Mesmo quem não costuma ler muito já deve ter ouvido falar nesse livro. A obra de Huxley popularizou um gênero, a distopia, que é uma utopia que deu errado. Sem esse livro, talvez não teríamos hoje obras como ‘Fahrenheit 451’, ‘Jogos vorazes’ e ‘1984’, de George Orwell, que suspeitava que Huxley inspirara-se no livro ‘Nós’ (tido como a primeira distopia), do russo Ievguêni Zamiátin. A suspeita sempre foi negada, porém as semelhanças são inegáveis — e os dois livros devem ser conhecidos por você. ‘Admirável mundo novo’ apresenta um mundo “perfeito”, dividido em classes, com uma tecnologia genética muito avançada e um governo mundial, centrado no controle social, por meio do condicionamento pavloviano, ordem e privação de liberdades. Esse é o ponto principal do romance, que mostra como a liberdade é importante e como a perdemos ao sermos subjugados por governos inflexíveis e gigantes (é possível fazer muitas alusões ao Brasil). Quem é mais importante: o indivíduo, ou o Estado? Se você ainda não conhece o livro, aproveite que 2018 é ano de eleições no Brasil e trate de conhecê-lo, pois estou falando de uma leitura altamente elucidativa. Distopias sempre envolvem questões políticas e mostram a importância da liberdade para o ser humano. Conheça o livro AQUI.

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O que você leu em maio? Foram muitos livros? Quais foram os melhores?

Deixe um comentário, diga como foi o seu mês e o que achou desse ranking.

Maio foi o mês das mães e, coincidentemente, o post mais visualizado desse mês foi Poema: O Dia das Mães (clique AQUI para visualizá-lo).

Obrigado pela visita.

Alan Martins

Paralisação caminhoneiros maio meme humor
Quem já jogou Pokémon vai entender melhor esta imagem! O trabalho disponível em https://pixnio.com/ foi utilizado na composição desta imagem.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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