Abril trabalhoso

Aproveitando que hoje é o Dia do Trabalho, vou falar um pouco sobre como abril foi um mês trabalhoso. Digo isso em um bom sentido, muito trabalho para o blog, muitos livros lidos; foi possível trabalhar para trazer um conteúdo bacana.

Foi divertido conseguir manter a constância das postagens, apesar de ter muito trabalho com a faculdade e com o meu emprego. Por falar em faculdade, esse ano comecei a estagiar em um hospital, e, num lugar como esse, você vê muito trabalho, o tempo todo. É incrível a movimentação dentro de um hospital, onde sempre há algo acontecendo, um ambiente muito dinâmico. Quem observa de fora, não consegue ter a noção de como é trabalhar lá dentro. São trabalhadores que merecem todo nosso respeito, pois fornecem um serviço de extrema importância à população. Devemos valorizar nossos hospitais.

Nesse turbilhão todo, de trabalho, estágio e faculdade, ainda consegui ler e trazer as resenhas àqueles que acompanham o blog. Foi um bom número de leituras e de gêneros variados. Como de praxe, apresento o ranking das melhores leituras do mês. Aproveite o feriado e tire um tempo para a leitura, aqui você encontrará ótimas dicas!


Capa do livro A incendiária, Stephen King7° A incendiária – Stephen King (Suma, 2018): Livro que, até então, era considerado raro aqui no Brasil, por ter sido publicado, pela última vez, nos anos 1980. Só era possível encontrá-lo em sebos, onde os vendedores pediam preços absurdos. Com a coleção ‘Biblioteca Stephen King’ esse cenário está mudando, já que a editora passou a publicar esses livros mais antigos (considerados raros) em belas edições, caprichadas e com conteúdo extra. A premissa de ‘A incendiária’ é muito boa, apresentando um pai e uma filha, donos de poderes psíquicos, fugindo de uma agência secreta do Governo dos EUA. O início da narrativa é promissor, com um ritmo eletrizante. Porém, o livro fica monótono lá pela metade e jamais retorna ao mesmo nível de antes. A maioria dos personagens decepciona, até o grande vilão deixa a desejar, sendo que tinha um grande potencial. Quem se salva são os protagonistas, principalmente Charlie, com seus poderes devastadores. Ao final da leitura, um sentimento de decepção pairou pelo ar. Veja minha resenha AQUI.


Capa do livro O processo, Franz Kafka6° O processo – Franz Kafka (Companhia de Bolso, 2005): Um clássico do século XX, escrito por um dos mais aclamados e influentes autores desse período. São inúmeros os autores que dizem ter Kafka como uma fonte de inspiração. Apesar de toda a fama da obra e de seu autor, a leitura deste livro não foi muito agradável. Kafka faleceu antes que o livro fosse finalizado, seu amigo Max Brod organizou os manuscritos e publicou o romance algum tempo depois. Ou seja, trata-se de uma obra póstuma. O sentimento de se estar lendo algo inacabado é forte, a trama não é amarrada, nem concisa. Há capítulos incompletos e falta polimento. Críticos interpretam o enredo — que é um tanto confuso — de diversas maneiras, há interpretações feitas a partir do ponto de vista de vários campos do saber. É um dos livros mais absurdistas e surrealistas que existem, narrando a história de um homem que é acusado, por um tribunal alternativo, de um crime que ele desconhece. Vale a pena conhecer a obra pela importância de Kafka, todavia, acredito não ser a leitura mais divertida de todos os tempos. Leia minha resenha AQUI.


Capa do livro Memórias dum hiperbóreo Oleg Almeida5° Memórias dum hiperbóreo – Oleg Almeida (7Letras, 2008): Além de um grande tradutor, principalmente da literatura russa, Oleg Almeida é um grande poeta, com alguns livros já publicados. ‘Memórias dum hiperbóreo’ foi o seu primeiro livro publicado no Brasil (para quem não sabe, o autor nasceu na Bielorrússia, mas vive no Brasil desde 2005). Como o próprio título indica (pois um hiperbóreo é uma figura da mitologia grega), o poema remete aos grandes clássicos da Grécia Antiga. O estilo do poema também nos lembra clássicos como ‘A odisseia’, de Homero, que serviu de inspiração para Oleg. É um estilo onde uma história é narrada por meio de versos. Antes que a prosa ganhasse fama, era assim que os grandes escritores escreviam suas obras. A trama mistura mitologia grega com o lado pessoal do autor, onde o protagonista é uma espécie de espelho, refletindo certas dificuldades que Oleg encontrou nos primeiros anos de sua mudança. Realmente, é um livro com um clima triste, marcado por perdas e mudanças. Uma leitura muito interessante, com um estilo pouco visto hoje, principalmente na poesia. Conheça o livro AQUI.


Capa do livro Psicose, DarkSide Books4° Psicose – Robert Bloch (DarkSide Books, 2013): Quem é fã de cinema, principalmente de filmes considerados cult, com certeza conhece ‘Psicose’, o grande clássico de Alfred Hitchcock. Mesmo quem não é fã já deve ter visto uma cena desse filme. Tanto o filme quanto o livro são de grande influência. A obra de Bloch trouxe uma nova vida ao terror e ao suspense. Aqui não há nada de sobrenatural, existem apenas pessoas comuns, o que deixa tudo mais apavorante e realista. Somos apresentados a um dos mais icônicos personagens da literatura, Norman Bates, um cara estranho, que guarda muitos segredos. Neste livro, as aparências enganam, nada é como aparenta ser, o que contribui para que a narrativa pareça mais verdadeira, crível. Uma leitura rápida e muito divertida. O livro é curto e dividido em muitos capítulos, o que deixa tudo mais dinâmico. Há momentos onde o autor poderia ter trabalhado melhor, desenvolvido mais o enredo, já que o livro parece terminar muito rápido. Com um pouco mais de cuidado, esta poderia ter sido uma obra muito mais épica. Apesar disso, pode apostar nessa bela edição da DarkSide Books, será uma ótima leitura. Veja meu post sobre esse livro AQUI.


Capa do livro A conquista da felicidade3° A conquista da felicidade – Bertrand Russell (Nova Fronteira, 2017): Este é um livro que faz parte da coleção ‘Clássicos de ouro’, composta por clássicos mundiais dos mais variados gêneros. ‘A conquista da felicidade’ é uma obra do filósofo e matemático britânico Bertrand Russell, laureado com o Nobel de Literatura em 1950. Ao ver o título do livro, fica claro sobre o que vamos ler. Partindo de experiencias pessoais e de seu grande conhecimento literário, Russell se propôs a analisar as causas da felicidade e da infelicidade para as pessoas de sua época. Apesar de ser um livro que foi publicado, pela primeira vez, em 1930, as análises apresentadas são ainda muito atuais, uma vez que o autor escreveu sobre características da vida humana que são praticamente intrínsecas. Serão abordadas questões como trabalho, família, desejos, sentimentos. Russell dividiu o livro em duas partes: a primeira abordará as causas da infelicidade, a segunda as causas da felicidade. Suas ideias e análises são precisas e muito inteligentes. O título pode dar a impressão de autoajuda, mas esse é um livro que passa bem longe desse gênero. Afinal, a maioria dos filósofos já quebrou a cabeça buscando compreender as causas da felicidade. Conheça mais clicando AQUI.


Capa do livro Desenhos a lápis, Oleg Almeida2° Desenhos a lápis – Oleg Almeida (Scortecci, 2018): Falei de ‘Memórias dum hiperbóreo’, o primeiro livro de Oleg Almeida publicado no Brasil. Agora vou falar sobre ‘Desenhos a lápis’, sua obra mais recente. Diferente do primeiro, que tem um estilo mais clássico, barroco, este aqui é mais livre, espontâneo. Os poemas são curtos, diretos e, muitas vezes, ácidos. A preocupação do autor não foi com rimas ou métricas, mas sim com a ideia que queria passar. São Paulo, a maior cidade brasileira, serviu como inspiração para Oleg, Ele, um estrangeiro que se surpreendeu com o grande colosso de concreto, tanto de maneira positiva, quanto negativa, exibe aqui seu lado mais crítico e bem-humorado. Quem vive na correria de uma cidade grande, deixa muitos detalhes passarem batidos, são poucos os que prestam atenção ao redor. Sendo uma pessoa de fora, conhecendo a cidade pela primeira vez, Oleg fez o caminho contrário: ele observou muito bem o que acontecia à sua volta, para depois transpor tudo ao papel. Livro de leitura rápida, muito gostosa, que garantirá boas risadas com as sacadas que o escritor encontrou. Quem gosta de poesia, vai gostar muito deste livro. Clique AQUI para ler minha resenha.


Capa do livro Sonhos elétricos, Philip K. Dick1° Sonhos elétricos – Philip K. Dick (Aleph, 2018): A série televisiva ‘Electric Dreams’ é composta por dez episódios, todos baseados em um conto diferente desse grande nome da ficção científica, chamado Philip K. Dick. Aproveitando o embalo da série, foi publicado um livro, uma coletânea desses dez contos, que figuram entre os primeiros escritos do autor. É impossível apontar um conto que seja ruim. Claro, há um conto melhor que outro, mas nenhum dos dez é ruim. Dick foi uma espécie de filósofo da ficção científica. Ele não escrevia com o foco na parte científica de suas histórias, na verdade ele queria discorrer sobre o ser humano, criticar uma característica da sociedade. E é isso o que vamos encontrar nesses contos: uma grande crítica por trás de toda a ficção científica. Por serem contos muito bons, a leitura é bastante fluída e você não vai querer largar o livro. Antes de cada conto há uma breve introdução, escrita pelo profissional que o adaptou para a série. É interessante ler a visão de outra pessoa, que pode ser bem diferente da sua, o que acaba sendo uma nova maneira de compreender o que será lido. Existe algo em comum em todas essas introduções: todos concordam que Philip K. Dick foi um gênio em sua área, um autor que merece ser lido por todos. Conheça o livro AQUI.


O post de abril com o maior número de visualizações foi Minhas Leituras #60: Sonhos elétricos – Philip K. Dick!

Para você que leu até aqui, um bom feriado!

Alan Martins

Mesa de trabalho, desenhista, café
Editado sobre imagem publicada sob Licença (CC0 1.0). Disponível em: https://www.goodfreephotos.com/.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

15 pensamentos

  1. o meu abril foi insano, mas eu gostei. Consegui cumprir um novo beda e dar andamento a projetos interessantes. Foi bom e espero que maio seja ainda melhor.
    Continuo interessada em Oleg, mas não será nesse mês que irei ler…
    Que maio seja intenso e inspirador.
    bacio

    Curtido por 1 pessoa

    1. Acompanhei mesmo o seu beda. Deve ter dado um trabalhão! Mas que bom que a missão foi cumprida. Acho que você vai gostar de conhecer o autor. Leia-o assim que puder.
      Obrigado pela visita. Que maio seja melhor que abril.
      Abraço.

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  2. Das tuas resenhas, os livros que me interessaram foram os do Omeg 🙂 Principalmente o do Hiperboreo. O do Dick eu tenhobaqui, para ler, entre outros dele 🙂
    Que bom que teu Abril foi assim produtivo. 🙂 O meu nem tanto… rs

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    1. Recomendo, a poesia do Oleg é muito boa, vai gostar dos livros! Também recomendo muito PKD, um autor muito f*da!
      Será que seu abril não foi produtivo de nenhuma maneira? Se pensar bem, acho que vai ver que foi sim, hein.

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      1. É quando tudo está dando errado, e isso te obriga a decidir, e a mudança, apesar de sofrida, transforma positivamente a tua vida, e isso vaibfazer com que as coisas “produtivas” aconteçam muito mais “naturalmente”. Ou seja, parece que o “tempo perdido”, no fim, é tempo ganho 🙂

        Curtido por 1 pessoa

      2. Quando aperta, a gente consegue se adaptar e tudo isso gera uma evolução. Não há tempo perdido, acho, tudo é um grande aprendizado. Até mesmo as situações não muito agradáveis. Que bom que você pensa assim! 😀

        Curtido por 1 pessoa

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