Poema: Breve

Já parou para pensar em como o tempo é breve? A vida é um espaço de tempo, curto, longo; cada indivíduo a percebe de maneira diferente. Há quem vive anos em apenas um mês, assim como existem aqueles que vivem apenas alguns dias em décadas.

Nossa pulsão de vida fala mais alto; por mais que o tempo seja breve, não queremos largá-lo. Aceitar que tudo chega a um fim é uma grande virtude. Por isso devemos fazer valer a pena todo o mínimo com que somos agraciados.

Eis, então, um poema que tenta exprimir a brevidade do tempo, de forma breve, assim como seu título indica, afinal o muito, às vezes, pode significar pouco, e vice-versa.


Breve

Passou tão depressa,
que mal conseguiu
degustar seu sabor.
Brevidade que desespera,
ao mesmo tempo em que potencializa
a vontade de existir.
Tempo emprestado da morte,
ou tempo concedido pela vida?
Quem poderá afirmar?
Afinal, o breve é relativo,
é fenômeno.
Resta apenas usufruir
a brevidade de cada dia,
cada minuto,
cada segundo…
Aproveitar o breve.

Alan Martins

Marcador de combustível vazio
Imagem por Public Domain Pictures. Publicada sob Licença (CC0 1.0). Disponível em: https://pixabay.com/photo-2741/.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

22 pensamentos

  1. Gostei muito do teu poema Alan. Levanta importantes reflexões. O tempo é mesmo um tema recorrente nas ponderações humanas. Acredito que preocupamo-nos com o tema pois o tempo nos parece ser um recurso limitado. Precioso. Penso que usufruir com sabedoria a brevidade de cada momento é o mesmo que dar valor à vida. Afinal, o tempo é substrato da vida. É matéria do que a vida é feita. Cada um dos sessenta segundos de um minuto representam uma pequena porção de existência…e como bem o disseste, diante de tal perspectiva, o melhor é “fazer valer a pena cada mínimo que nos é agraciado”…
    Abraço pra ti! Fernanda

    Curtido por 2 pessoas

    1. Fico muito feliz em saber que gostou do poema!
      Nossa capacidade de pensar abstratamente, raciocinar, é um mal e algo bom ao mesmo tempo. Só porque pensamos é que nos preocupamos com o tempo, pois, assim, notamos que se trata de algo limitado, que tem um fim. Mas olha quanta coisa interessante pensar sobre o tempo pode nos proporcionar, quantas ideias, filosofias.
      Por esse mesmo motivo valorizamos o tempo, por saber que cada segundo aqui pode significar um segundo a menos também. Aí a sabedoria de manejá-lo mostra-se importante, saber aproveitar cada momento de modo que nos seja saudável, de acordo com nossa individualidade. Feliz é aquele que aproveita os bons momentos, ou melhor, cada momento.
      Obrigado pelas suas palavras.
      Abraço. 🙂

      Curtido por 2 pessoas

  2. tema recorrente em meus posts. hoje, descobri que o tempo tem o seu próprio e ele se faz em nós. como o sentimos e como o vivemos é o que nos diferencia uns dos outros. deixei de pensar na brevidade. o que permanece, mesmo depois da nossa partida, é algo que o tempo jamais apagará. muitos dão o nome de saudade. prefiro o de vida. temos o hábito de nos referir a quem partiu no passado. meu pai faleceu e digo era meu pai. não, ele sempre ser´o meu pai, é o meu pai. tenho refletido muito sobre isso. muito bom o poem e desculpe esse comentário exagerado. um grande abraço, Alan.

    Curtido por 4 pessoas

    1. Não deixamos de ser após nossa partida, talvez o organismo seja destruído (e é), mas a consciência permanece, não em nós mesmos, mas em que fica, nossa memória na memória de outras pessoas. Acho que nunca deixarei de ser Alan, e nem você de ser Fernando, apenas nosso tempo aqui termina. Para onde vamos, é um mistério. Será que existe um lugar depois? Seria esse lugar o mesmo no qual estávamos antes de existir? Impossível saber antes do tempo.
      Você está correto em não se preocupar com a brevidade, é a melhor forma de aceitar os fatos da vida e do tempo.
      Obrigado pelo comentário, que não foi nada exagerado!
      Grande abraço.

      Curtido por 2 pessoas

    1. Acho que só paramos para pensar que a vida possui um fim é que percebemos como o tempo é breve. Acho, também, que isso fica mais recorrente conforme envelhecemos. Tema interessante esse, ainda mais ao ler o livro ‘Sobre a morte’, de Schopenhauer. Recomendo.
      Obrigado pelas palavras!
      Grande abraço. 🙂

      Curtido por 3 pessoas

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