As melhores leituras de 2017

O ano de 2017 foi propício para minhas leituras. Consegui ler vários livros e escrever uma resenha para a maior parte deles. Foi a partir de ‘Marina’, livro de Carlos Ruiz Zafón, que passei a resenhar cada livro que eu lia. Ao todo, no ano passado, foram postadas quarenta e três resenhas no blog.

Ainda falando sobre 2017, desde junho monto um ranking com as melhores leituras do mês, quais dos livros lidos achei mais interessante, qual leitura foi mais prazerosa. Essa é uma ideia que pretendo carregar ao longo de 2018.

Chegou o momento de fazer um balanço e apresentar as dez melhores leituras de 2017! Não se trata de uma lista de melhores livros publicados nesse ano, mas sim os melhores dos quais li.

No meio de tanto livro bom, fica bem difícil escolher aqueles que mais gostei de ler. Porém, com muito cuidado escolhi as obras que irão compor essa lista.

Assim ficou a classificação:


Capa do livro Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa10° Travessuras da Menina Má – Mario Vargas Llosa (Alfagura, 2006): Llosa foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2010. Sua obra é marcada por temas sexuais, políticos e históricos. Nesse livro, temos esses três elementos em abundância, compondo partes importantes do enredo. Amante dos clássicos franceses, em especial Flaubert, Llosa se inspirou em ‘Madame Bovary’, criando uma narrativa do mesmo estilo, porém em tempos mais modernos, com uma escrita também mais moderna. O resultado é um livro capaz de agradar quem aprecia romances, mas também aqueles que gostam de história e de temas políticos. Se você deseja conhecer mais sobre essa obra, veja minha resenha AQUI. Curiosamente, esse é o post mais acessado do blog!


Capa do livro Ouça a canção do vento & Pinball 1973 de Haruki Murakami9° Ouça a canção do vento & Pinball 1973 – Haruki Mirakami (Alfaguara, 2016): Essa edição traz dois livros em um. São as duas primeiras obras desse aclamado escritor japonês, que sempre é apontado como um candidato ao Nobel de literatura. Essas são, também, as duas primeiras partes de uma trilogia, conhecida como “A trilogia do Rato”. A terceira parte foi publicada um pouco mais tarde, ‘Caçando Carneiros’, livro que já apresentei AQUI. Trata-se de duas narrativas com o estilo típico de Murakami: muito nonsense, personagens estranhas e gatos. No meio de toda essa esquisitice, encontramos novelas muito gostosas de serem lidas, com características únicas. A tradução dessa edição ficou em terceiro lugar na edição de 2017 do Prêmio Jabuti. Sem falar que, esteticamente, o livro está lindo! Veja meu post sobre esse livro, AQUI.


Capa da trilogia O Senhor dos Anéis, Tolkien8° O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien (Martins Fontes, 2000): Aprendemos a conhecer a obra-prima de Tolkien como uma trilogia, entretanto, ele não a compôs dessa forma. O livro foi pensado como um volume único, porém, na época de sua publicação original, os editores preferiram dividir o livro em três volumes, por diversas questões. Sendo assim, deve-se julgar a “trilogia” como apenas um livro. É possível dividir o gênero fantasia antes e depois de ‘O Senhor dos Anéis’, pois Tolkien criou os alicerces modernos da fantasia. Uma leitura densa, cheia de detalhes, porém de grande entretenimento. Ficamos abismados com a criatividade do autor, que criou uma mitologia nova para sua história. Além disso, como o autor era um filólogo, essa obra se trata de um amplo trabalho linguístico, onde novas línguas foram criadas, o que enriquece ainda mais o universo da Terra-média. Veja meus posts sobre os três volumes que compõem a obra, AQUI.


Capa do livro O alienista de Machado de Assis7° O alienista – Machado de Assis (Penguin-Companhia das Letras, 2014): Quem disse que clássico precisa ser chato? Essa novela, escrita por um dos maiores nomes da literatura brasileira, mostra que os clássicos podem ser divertidos. O enredo fala sobre Simão Bacamarte (o alienista), um médico que se interessa pela psiquiatria. Seu interesse o leva a construir um manicômio na Vila de Itaguaí, onde vive. A população fica revoltada quando Bacamarte começa a realizar internações compulsórias, com a intenção de descobrir a causa e a cura da loucura. Logo uma revolta tem início. Obra satírica e crítica. As maiores críticas do autor são em relação ao positivismo científico e à patologização da normalidade. Ótimo livro para se compreender a lógica manicomial. Divertido, sem deixar de ter conteúdo. Leitura recomentada a quem se interessa por psicologia. Confira minha resenha AQUI.


Capa do livro Mitologia Nórdica de Neil Gaiman6° Mitologia nórdica – Neil Gaiman (Intrínseca, 2017): Gaiman é um autor muito aclamado na atualidade, um dos nomes mais reverenciados da fantasia moderna. Já escreveu livros para crianças e para adultos, com temas mais tranquilos e outros mais pesados, sempre mantendo uma pegada dark. Em ‘Mitologia nórdica’, ele fez algo um pouco diferente do habitual. Essa é uma mitologia que o inspirou ao longa da vida, com várias referências em sua obra. Ao estudar o assunto com maior profundidade, Gaiman decidiu escrever o ‘Edda em prosa’ à sua maneira. O resultado ficou incrível. Temos nesse livro a melhor introdução à essa mitologia, atualmente. Leitura divertida, onde o autor criou diversos diálogos, contando os mitos de forma mais agradável e interessante. Conheça mais sobre a obra AQUI.


Capa do livro O estrangeiro de Albert Camus. Record Altaya5° O estrangeiro – Albert Camus (Record/Altaya, 1995): As décadas de 1950 e 1970, período pós-guerra, foram prósperas para os filósofos franceses. Camus, vencedor do Nobel de literatura de 1957, era um deles e se diferenciou, esquivando-se do existencialismo, escola filosófica forte, tendo Sartre como grande representante. Camus defendia a filosofia do absurdo, que levava alguns conceitos do existencialismo, porém negando outros. Para esse movimento filosófico, a vida não possui sentido. Em ‘O estrangeiro’, o autor demonstra essa filosofia na prática, pois a narrativa é totalmente baseada nessa ideia. O protagonista, Meursault, choca o leitor com sua frieza e falta de sentimento logo no início da obra, ao dizer que sua mãe havia morrido, mas que não sabia quando, e que isso não importava. É possível ver o absurdo em cada detalhe. Um livro curto, de leitura rápida. Camus deixa toda a interpretação por conta do leitor, ele não explica detalhes das personagens e do enredo, esse é o grande diferencial da obra. Obra curta, mas ao mesmo tempo complexa, pois incita o ato de refletir. Para conhecer a filosofia do absurdo com maior profundidade, é interessante ler outros de seus livros, como ‘O mito de Sísifo’. Entretanto, você pode ler o meu post sobre ‘O estrangeiro’ e já ficar por dentro de algumas de suas ideias, basta clicar AQUI.


Capa do livro O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde4° O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde (Penguin-Companhia das Letras, 2012): Wilde foi um autor polêmico, o que refletiu em sua vida e em suas obras, principalmente em seu único romance publicado. Esta é uma obra que sofreu forte censura na época em que foi publicada, ou seja, no final do século XIX. O autor foi um grande fã da mitologia grega, assim como Sigmund Freud, por isso é possível observar semelhanças nas obras de ambos (além de terem em comum o gosto pela psicologia). ‘O retrato de Dorian Gray’ é um romance interpretativo, filosófico, para ser lido nas entrelinhas. Gray se assemelha a Narciso, que fica impressionado com seu reflexo (Dorian com seu retrato). Porém, esse retrato guarda mais segredos, pois reflete, também, a alma do jovem. Uma leitura muito rápida, essencial para quem é fã de clássicos. Um livro atemporal, já que trata de temas ainda atuais, como o narcisismo (por isso os psicanalistas apreciam essa obra, tanto que o tradutor dessa edição é um). Conheça mais sobre o livro clicando AQUI.


Capa do livro Diário do subsolo de Fiódor Dostoiévski3° Diário do subsolo – Fiódor Dostoiévski (Martin Claret, 2012): Ler Dostoiévski é como ler a alma do ser humano. Esse, que é um dos maiores autores russos de todos os tempos, e talvez um dos maiores do mundo. Ele consegue descrever o íntimo humano como poucos. Esta é considerada uma de suas obras mais importantes. Novela dividida em duas partes, uma mais filosófica, com o monólogo do protagonista sem nome, e uma segunda, onde ele fala de seu passado, do tempo em que vivia no subsolo. O subsolo da alma é um local de mesquinhez e arrogância. O homem que lá reside não consegue realizar seus desejos, já que possui uma moral exacerbada, mantém uma vida regrada, não se permite desfrutar os prazeres. Seu desejo reprimido acaba se transformando em arrogância e maldade. Ótimo livro para quem gosta de histórias com forte teor filosófico. Grandes interpretações psicológicas podem ser feitas a partir da leitura, pois Dostoiévski foi e ainda é um dos autores que mais escreveram sobre a psique humana. O diferencial dessa edição é a tradução, direta do russo, feita por Oleg Almeida, poeta e tradutor bielorrusso. Leia minha resenha, clicando AQUI.


Capa do livro A senhora do lago de Andrzej Sapkowski2° A senhora do lago – Andrzej Sapkowski (WMF Martins Fontes, 2017): Livro que encerra a saga do maior representante polonês da literatura fantástica. Composta por sete livros, a história do bruxo Geralt de Rívia chega ao fim em grande estilo, com uma narrativa frenética, constante, sem deixar o ritmo cair. Todos os acontecimentos anteriores terão o seu desfecho. Qual será o destino das personagens e do mundo? Quem será o vencedor da grande guerra, os Reinos do Norte, ou o império de Nilfgaard? Sapkowski construiu sua obra sempre fazendo uso de um humor ácido e de reflexões políticas e econômicas. Essas discussões nunca estiveram tão presentes quanto em ‘A senhora do lago’, originalmente livro único, que foi dividido em dois volumes pela editora aqui no Brasil. Saga que trouxe renovação ao gênero fantasia, com fortes raízes em Tolkien, porém com uma escrita mais moderna, utilizando temas do mundo real em um ambiente fantástico. Vale muito a pena conhecê-la, Sapkowski, assim como Geralt, é muito sagaz e criativo. Veja minha análise sobre esses dois volumes, AQUI.


Capa do livro O Sol é para todos de Harper Lee1° O Sol é para todos – Harper Lee (José Olympio, 2015): Essa autora conseguiu gravar seu nome na literatura dos EUA, e também na história da literatura mundial, publicando apenas um livro ao longo de sua vida! ‘O Sol é para todos’ foi o único livro que Lee escreveu, um livro que lhe rendeu um prêmio Pulitzer de melhor ficção e que foi adaptado para o cinema, uma adaptação que venceu o Oscar em diversas categorias. A história é narrada tendo como ponto de vista a pequena Scout, a protagonista. Ela e seu irmão vivem com o pai em uma cidade pequena do Sul dos EUA, nos anos 1930, uma região muito racista. O preconceito é o tema principal da obra, como ele faz com que as pessoas julguem o caráter de outras apenas pela cor da pele. Porém, há outros temas presentes, como pobreza, coerção social, violência e determinismo. Um livro antigo, mas que se mostra atual. Uma escrita simples e divertida, sem deixar de ser crítica e de nos fazer refletir. Ser uma obra tão aclamada assim até hoje é muito mais que merecido. Seria difícil não se simpatizar com a protagonista. Você pode ver meu post sobre o livro AQUI.


Dentre todos os livros que li ao longo de 2017, esses foram os que mais me marcaram. Serão livros que carregarei pelo resto de minha vida, talvez não de forma física, mas, certamente, em minha mente. São leituras que eu indicaria a qualquer um.

E você, já conhecia algum desses livros? Qual desses você já leu? Deixe um comentário, diga o que achou do post e se concorda com a lista.

Se você leu até aqui, saiba que fico muito grato por isso. Muito obrigado pela visita!

Abraço.

Alan Martins

Estante de livros, melhores de 2017
Editado sobre imagem de Benuski (CC BY-SA 2.0) e Clker Free Vector Images (CC0 1.0). Disponíveis em: https://flic.kr/p/6ktp7d e https://pixabay.com/photo-304839/.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

14 pensamentos

  1. Humm… Talvez tenha sido por isso que eu tenha largado a leitura de Em busca do Carneiro Selvagem… Ele faz parte de uma trilogia, e eu nem sabia! 🙂
    Gostei das leituras, há vários que vão estar na minha lista de futuras leituras.

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    1. Essa é uma trilogia estranha, porque não é uma continuidade exata, são personagens que retornam, mas não uma linha que segue uma direção. São três histórias distintas. Pior que tem o ‘Dance, dance, dance’, uma espécie de epílogo. Mas, também sem seguir a história literalmente.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Muito bom… Vou procurar os dois primeiros e esse. Tenho vários dele, mas ainda não li nenhum. Eu parei de ler esse, mas nem sei dizer a razão, porque ao fim e ao cabo, eu estava gostando…

        Curtido por 1 pessoa

    1. Recomendo que você leia qualquer um desses, pois tenho certeza que irá gostar. Não faço ideia da razão de ‘Travessuras da manina’ ser meu post mais acessado! Acho que muita gente gosta do estilo desse livro, pelo jeito ha ha!
      Obrigado por comentar.
      Grande abraço!

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  2. Já consegui ler ‘O Estrangeiro’ 😀 . Dos que estão na lista destaco o ‘Alienista’ (ficou no coração) e o ‘ Não matem a cotovia’. Queria dar uma oportunidade ao livro que se publicou em 2015 ‘Mataram a cotovia’, mas ainda não consegui. Do Mario Vargas llosa tenho o ‘Cinco Esquina’ para ler”. Já agora, o livro do meu ano foi ‘Montanha Mágica’, sem dúvida. Abraço e bom domingo 🙂

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    1. ‘Mataram a cotovia’ ficou um título mais próximo do que o escolhido aqui no Brasil!
      ‘O estrangeiro’ é muito bom, assim como ‘O alienista’. Tenho alguns aqui do Vargas Llosa para ler, assim como ‘A montanha mágica’. Talvez esses entrarão para a lista dos lidos em 2018. Com você dizendo que foi seu livro do ano, fico mais mais vontade ainda de ler.
      Grande abraço. Obrigado por comentar. Ótimo domingo! 😀

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      1. Aconselho, sim, muito em especial para os profissionais da tua área 🙂 De forma muito sumária e sem querer desvendar muito, como já deves saber, é sobre um jovem internado num sanatório conjuntamente com o seu primo. Uma das componentes é a forma como o tempo é encarado, daí as comparações entre o livro e, em parte, a teoria da relatividade. Trazendo-o para a nossa era, ajuda-te a perceber o que é ser jovem e estar numa situação de internamento hospitalar prolongado. Ainda quero escrever sobre ele, mas a altura ainda não foi a propícia. Grande abraço 🙂

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      2. Em ‘Norwegian wood’, de Haruki Murakami, o protagonista visita uma pessoa em uma espécie de hospital psiquiátrico e leva esse livro para lá, lendo no caminho. Uma escolha muito peculiar, né? Foi uma boa ideia a de Murakami.

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      3. Sim, sem dúvida. 🙂 Tenho mesmo de ler o livro, então!!! Acho que vou gostar. Mas há vários casos. O filme do Miyazaki, As Asas do Vento, também faz referência. O próprio Renato Russo, não sei se tu gostas mas para mim é especial, tem uma canção dedicada ao livro. O próprio tema Tempo Perdido faz uma excelente ligação 🙂 É, portanto, muito forte. Abraço e uma óptima semana!

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