Fobia social na Terapia Cognitivo-Comportamental

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Imagem por Geralt. Publicada sob Licença (CC0 1.0). Disponível em: https://pixabay.com/photo-730743/.

O termo fobia social ou transtorno de ansiedade social é utilizado para a ansiedade intensa em situações sociais e de desempenho e é caracterizado por um medo acentuado e persistente dessas situações. A pessoa teme que seu modo de agir seja humilhante ou embaraçoso, e a exposição à essa temida situação provoca uma ansiedade intensa. São pessoas que apresentam hipersensibilidade a críticas, que mantém uma avaliação negativa sobre si mesma, sentimentos de inferioridade e grande dificuldade em serem assertivas.

As explicações mais antigas sobre a fobia social focam no condicionamento clássico, e afirmavam que uma experiência traumática seria responsável pelo início da fobia. Porém, pesquisas apontaram que essas experiências negativas já eram uma consequência da fobia, e não seu início.

Há outra teoria que diz que sujeitos com fobia social sofrem de um déficit de habilidades sociais. Pessoas com esse déficit podem se comportar de maneira inadequada, causando uma situação embaraçosa. Estudos comprovam que há uma alta incidência de déficits de habilidades sociais em pessoas diagnosticadas com fobia social, e isso poderia ajudar a manter o quadro fóbico.

Ellis, em 1962, criou uma teoria que relacionava a ansiedade social com as crenças irracionais da pessoa. Um exemplo de crença social seria a de ter um desempenho perfeito em determinada situação para provar nosso valor. Essas pessoas, em consequência disso, se cobram demais, beirando um perfeccionismo extremo. O alto grau de exigência leva a um alto grau de ansiedade no comportamento da pessoa quando algo não sai de acordo com o esperado.

A ideia da vulnerabilidade cognitiva mostra que clientes com fobia social possuem a tendência de interpretar de maneira errônea as situações sociais e seu próprio desempenho. O medo central dessa fobia seria o de ser o foco das atenções e expor fraquezas, sendo o indivíduo avaliado de forma desfavorável em consequência disso. Existem falhas no processamento cognitivo dos fóbicos sociais, segundo essa teoria, o que leva à uma distorção de suas experiências interpessoais. A pessoa busca evidências que reafirmem sua visão negativa e patológica, o que reforça suas crenças e mantém os sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos.

O modelo cognitivo-comportamental busca a integração de vários resultados e pesquisas existentes, baseando-se na ideia de que há uma predisposição para o desenvolvimento da fobia social, podendo ser herdada ou produzida por questões da infância ou adolescência. Esses fatores presenciados na infância ou adolescência aumentam a probabilidade de uma pessoa entrar em situações sociais de maneira apreensiva, sentindo ansiedade e buscando evitá-las como forma de antecipar uma humilhação e embaraço.

No modelo cognitivo, o fóbico social é motivado a interpretar as situações sociais de forma negativa, sentindo-se inseguro, evitando essas situações, pois as vê como ameaçadoras. Isso resulta em pensamentos automáticos, que surgem rapidamente, sem motivo real. Os fóbicos sociais são predispostos a sentirem que são avaliados de forma negativa. Essas distorções nos pensamentos causam ansiedade, podendo atrapalhar no comportamento, gerando um círculo vicioso.

Os pesquisadores têm focado no tratamento da fobia social com o uso da terapia cognitivo-comportamental e o uso da farmacoterapia, principalmente nos inibidores de recepção de serotonina. As técnicas mais utilizadas para o tratamento de fobia social, na terapia cognitivo-comportamental, são as técnicas de relaxamento, o treinamento de habilidades sociais, a exposição e a restauração cognitiva.

As técnicas de relaxamento ajudam o cliente a controlar sintomas fisiológicos, facilitando a exposição à situação temida. As técnicas mais utilizadas no treinamento de habilidades sociais são a modelagem pelo terapeuta, ensaio comportamental, reforçamento social e o treinamento realizado fora da seção. A exposição requer que o cliente imagine (exposição na imaginação) ou confronte os estímulos temidos (exposição ao vivo). A restauração cognitiva ensina os clientes a identificar os pensamentos distorcidos, fazendo o teste da realidade, corrigindo as distorções e as crenças disfuncionais adjacentes; permitindo a percepção da hipervalorizarão negativa das situações.

Existem diversos estudos que apontam a eficácia da terapia cognitivo-comportamental no tratamento da fobia social. A abordagem em grupo dessa terapia vem recebendo atenção dos pesquisadores, pois a interação em grupo contribui com os clientes, diminuindo o isolamento e funcionando como uma forma de exposição.

Referência bibliográfica

D’EL REY, G. J. F.; PACINI, C. A. Terapia cognitivo-comportamental da fobia social: modelos e técnicas. Psicol. estud., 11-2, p. 269-275, mai/ago. 2006.


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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

22 pensamentos

  1. Não chega a ser uma FOBIA, mas, por exemplo, eu já deixei de ir à eventos, viagens, e lugares porque involuntariamente eu me imaginava fazendo tudo errado lá, pagando algum tipo de mico, ou não conseguindo conversar com as pessoas normalmente. Hoje eu enfrento mais esses pensamentos negativos e estas situações.

    Lendo esse post deu para entender que essa ansiedade é fruto de baixa autoestima, sensibilidade extrema à críticas alheias, e essa paranóia de querer fazer e falar tudo certinho perto das pessoas. Sabendo disso já dá para ir “trabalhando” contra esses pensamentos…

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    1. Se isso é algo que te atrapalha e incomode, uma ajuda profissional seria bem-vinda. Tenho certeza que tudo isso pode ser melhorado, e ainda poderá se trabalhar a assertividade, que é algo muito importante para todas essas questões de relações sociais. Dê uma procurada aí na sua cidade, deve haver um profissional competente dessa área para te ajudar. Mas, sua iniciativa já é o início de tudo, ver que algo não está bom e buscar melhorar. Seu empenho é o mais importante, já começou bem!
      Obrigado pela visita.
      Abraço, espero que consiga melhorar nessas questões que você apontou. 🙂

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  2. Muito interessante esse artigo e os seus apontamentos sobre Fobia Social. Confesso que sempre me interessei por temas relacionados à psicologia e o seu blog tem sido muito esclarecedor e até despertando em mim um interesse maior em estudar mais sobre a psique humana. Atualmente, tenho buscado mais livros de ficção que abordem isso (comportamento, fluxo de consciência). Continue com esses temas, Alan. Com certeza, lerei todos. 😄😄 Abraços

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    1. Obrigado! Ver que o que trago ao blog desperta interessa em quem lê é muito legal. Na literatura da pra encontrar alguns livros que abordam certos temas desse tipo, mas um livro mais científico também é bem legal, ou artigos na internet. Gostei de saber que curtiu o post assim! 😀
      Abraço!

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  3. Alan esse texto é excelente e extremamente rico em conhecimento. Fiz um ano de tratamento psicológico para tentar diminuir minha fobia social, este processo foi de suma importância para que hoje eu consiga realizar tarefas expositivas e ter uma relação social menos dolorosa. Seu blog é um dos meus favoritos, sempre me trazendo conhecimento.

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    1. Me alegra muito em saber disso! É sempre bom ver relatos de terapias que deram certo, onde foi possível obter uma melhora, com certeza uma boa terapia ajuda muito nessas casos. Não é todo mundo que leva o assunto a sério, tem quem ache se tratar de besteira, mas só quem possui fobia social sabe o quanto é difícil viver dessa forma. Suas palavras me deixam muito feliz, sabendo que gosta assim do blog! 😀 😀 😀
      Qual tipo de terapia você fez? Se lembra?
      Obrigado pela visita e pelas palavras!
      Abraço.

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      1. Então não me lembro agora mas me recordo que ela usava muito minhas reações emocionais relacionadas a atividades sociais que me deixavam com fobia. Ela sempre me perguntava como eu me sentia em determinadas situações, sempre trabalhando o emocional para solucionar os problemas externos.

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      2. Tenho quase certeza que ela utilizou a Terapia Cognitivo-comportamental. É uma das que alcançam melhores resultados nesse tipo de fobia. Foi muito feliz da sua parte ter ido à uma psicóloga dessa abordagem! E é muito bom saber que deu certo.

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    1. É um tema bem interessante esse, nada como as teorias comportamentais para dar uma explicação, já que são as que mais estudam e publicam sobre esse assunto. Fico feliz que esteja aprendendo algo, é sinal de que a informação está sendo transmitida de maneira clara! 🙂
      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Ótimo domingo para você também. Abraço!

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    1. Muito obrigado, é bom saber que está gostando!
      Tento escrever da forma que eu compreendo os artigos que leio. Não adiantaria escrever em termos muito técnicos, pois não é todo mundo que entenderia. Me alegro em saber que a linguagem está adequada e compreensível. Acho que estou no caminho certo, então.
      Um grande abraço, ótimo domingo.

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    1. Com certeza. Uma explicação mais simplista tende a banalizar esses tipos de sofrimentos que acometem milhares de pessoas pelo mundo. Não é como uma doença física, que há um sintoma específico, o sofrimento psíquico pode ter diversas origens e manifestações e pode, até mesmo, ser reforçado, estimulado. Temos que tratar esse tema com seriedade. Gosto das teorias comportamentais pois elas são as que menos rotulam e dão diagnósticos de “doença”, coisas que acabam sendo um tanto quanto simplistas.
      Fico feliz que tenha gostado das informações e agradeço o seu comentário!
      Abraço.

      Curtido por 2 pessoas

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