Poema: Messias líquido

Não se cria uma poesia à força. Você não se senta numa cadeira e diz “Agora vou escrever um poema”. É até possível sair algo, mas será algo sem inspiração, pois é a inspiração que faz a poesia. Ficar inspirado é algo que acontece e é preciso ficar atendo, ou toda uma boa ideia pode cair no esquecimento.

Esses momentos ocorrem de maneira aleatória. Estava no meu trabalho quando alguns versos surgiram em minha mente. Eram relacionados à água, chuva. Rapidamente os anotei em um pedaço de papel e tentei parar de pensar no assunto. Só voltei a focar nesses versos quando decidi que eles deveriam se transformar em poesia. Chegou o momento de lapidação da ideia original.

Assim formou-se esse poema, a partir da ideia de que a água é a fonte de nossa vida. Afinal, o que seria de nós sem ela?


Messias líquido

Ó nuvem carregada,
sem forma concreta.
Mal sabes tu,
como bendito és
o fruto de vosso ventre.

Em dias melancólicos,
opacos,
sem luz,
choras alto.
Alto como um trovão, e
derramas sua tristeza sobre nós,
afim de purificar-nos,
carregando nossos pecados.

Seu fruto,
a água,
que a nós se incorpora,
ao tomarmos seu corpo.
Saciamos a sede.
Livrando-nos das impurezas
impostas pelo mundo.
Poluição interna.
Sujeira da alma.

Água que se sacrifica
subindo aos céus,
donde há de retornar
em forma de chuva,
para salvar a humanidade.
Que é feita à sua imagem,
podendo variar
apenas na porcentagem.

Ciclo constante,
garantia de vida.
Pelo homem
é maltratada.
O céu chora
e o povo pede
que vá embora.
Desvalorização.
Mas quando há sua falta,
mãos se erguem,
pedindo aos céus
para novamente
suas lágrimas despejar.
Eliminando a miséria
imposta pela ingratidão.
Apesar de tudo
retorna
pois essa é a sua missão.

Se a chuva de hoje
caísse sobre ti,
qual seria a cor da água que
escorreria pelos seus pés?
Seria pura, como o cristal?
Ou turva, pela a dissolução do mal?

Alan Martins

messias_liquido_destaque
Child and rain, por George Hodan. Publicada sob Licença CC0 Public Domain. Disponível em: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=35431&picture=crianca-e-chuva.

Curta a página do blog no Facebook 👍

Siga no Instagram 📸

Siga no Twitter 🕊

Gostou do poema? 🍂 Confira outros »»»AQUI«««

Gosta de livros?📚 Veja algumas dicas de leitura »»AQUI«««

Veja outras dicas  »»»AQUI«««

Confira algumas listas 👉 »»»AQUI«««


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Anúncios

Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

6 pensamentos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s