IT, A COISA – O LIVRO E O FILME

Na última sexta-feira, fui ao cinema assistir esse filme, que após várias mudanças de diretor e de projeto e uma grande campanha de marketing (ano passado havia uma onda de palhaços assassinos nos EUA, por exemplo), acabou gerando muita expectativa, se tornando o filme de terror mais aguardado do ano. Dirigido por Andy Muschietti, conhecido pelo filme ‘Mama’ (2013), e que, agora, passará a ser conhecido por ser o diretor de ‘It, a coisa’, de tão bom que o filme ficou.

O livro, uma das obras mais conhecidas e aclamadas de Stephen King é um calhamaço com mais de mil páginas e fora adaptado para uma minissérie de TV em 1991, porém nunca para o cinema, até então. Não sou a Ju Orosco, que faz grandes resenhas sobre filmes, porém vou deixar aqui minha impressão sobre o que assisti e, sendo um grande fã de King e por já ter lido a obra na qual a película se baseou, fazer uma comparação entre livro e filme.

Derry

A história nos apresenta Derry, Maine, uma cidade marcada pelo desaparecimento de pessoas, principalmente de crianças, que segue um padrão: os desaparecimentos aumentam a cada vinte e sete anos. No livro, fica mais claro como a cidade sempre foi violenta e marcada por acontecimentos trágicos. No filme esse detalhe é apresentado com menos ênfase, o foco fica mais nos protagonistas, sem se expandir a outros habitantes locais.

Os protagonistas

Como protagonistas, além de Pennywise (a Coisa), temos um grupo de sete crianças. Cada uma dá de cara com o vilão em determinado momento, o que irá unir o grupo futuramente. O filme consegue nos apresenta-los muito bem, mesmo que de maneira rápida, acabamos por gostar deles. O livro trabalha mais nisso, com maiores detalhes sobre a vida que levam, suas características e a relação com seus pais.

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Foto por Brooke Palmer – © 2016 Warner Bros. Entertainment Inc. Via IMDB.

O maior medo de cada um

Para assustar uma criança, a Coisa se transforma no maior medo dela. Stephen King utilizou monstros de filmes clássicos, como o lobisomem, Drácula, a múmia e Frankenstein. Isso faz sentido, pois esses eventos, no livro, ocorrem nos anos 1950. Já no filme, a trama se passa nos anos 1980, o que deixa o filme muito mais interessante, com um clima legal. Os medos de cada criança foram quase todos atualizados, fazendo uso de elementos mais assustadores do que esses monstros clássicos.

Pennywise, o palhaço dançarino

Quem tem medo de palhaços, pode até gostar de Pennywise, devido a excelente interpretação de Bill Skarsgård. Ficamos com vontade de ver mais momentos como a cena inicial do filme, que o abre de forma magistral. O ator consegue expressar o lado sedutor e maligno da Coisa, que tenta atrair a criança para o seu real objetivo, que é sempre matar e se alimentar dela, tanto da carne, quanto de seu medo. Essa é a real essência do vilão da obra literária, uma entidade sem forma real, que prefere atacar crianças, pois se assustam com maior facilidade. O visual do palhaço ficou diferente da versão de 1991. A versão de 2017 é baseada em uma passagem do livro que cita a Coisa como se apresentava em épocas mais remotas, em um estilo mais renascentista. O pecado do filme foi usar muita CGI quando não era necessário, pois as melhores cenas de Pennywise são as que não utilizam esse recurso. A maquiagem ficou muito boa, sem falar da interpretação de Skarsgård.

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Foto por Brooke Palmer – © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. Via IMDB.

Futuro e presente

Muschietti decidiu focar o primeiro filme na infância dos protagonistas. Serão dois filmes e o segundo focará em suas versões adultas e nas origens da Coisa. O livro não apresenta essa separação, a linha do tempo fica se alternando durante a narrativa. King trabalhou muito bem isso, o que deixa a leitura interessante. Essa escolha do diretor também funcionou muito bem, pois também deixou o filme mais interessante. Essas idas e vindas no tempo não pegariam bem em um filme.

Além do terror

Tanto o livro, quando o filme, não dão medo. Apesar de serem obras de terror/horror, não ficam presas ao significado do gênero. Há pequenos detalhes e simbolismos nos acontecimentos. O enredo fala sobre enfrentar os maiores medos, a amizade, como é crescer com pais ausentes, a perda da inocência e sobre violência e racismo. King e Muschietti desenvolveram muito bem essas questões. Isso é muito bom para ambos, pois são obras de terror que oferecem muito mais do que sustos baratos e momentos de tensão. Há uma boa construção de personagens e temas sendo debatidos, além de momentos mais calmos e de humor, que deixam a trama mais leve e nos preparam para os próximos momentos de terror.

Algumas diferenças

Gostei mais do filme do que do livro. A leitura do livro fica arrastada em muitos momentos, King é muito detalhista, há momentos desnecessários, que prendem o desenrolar do enredo; isso você pode ver melhor no meu post sobre essa obra. Já o filme é mais enxuto, consegue ser complexo e apresentar diversos detalhes, porém sem enrolar. Há sempre algo acontecendo, sem estacionar em determinado ponto. São um pouco mais de duas horas de filme muito bem trabalhadas.

Isso não quer dizer que o livro é ruim, muito pelo contrário, é muito bem escrito, principalmente as características psicológicas de cada personagem, além de Pennywise ser um dos maiores vilões da literatura. Todavia, a escrita detalhista e enrolada cansa, o que deixou  o livro enorme.

Também é possível afirmar que Pennywise, agora, se torna um dos melhores vilões do cinema. Com grande atuação de todos os atores principais (que crianças talentosas), é um dos melhores filmes de terror que já assisti. Mesmo com algumas disparidades entre o livro e o filme, como o desfecho do grupo de bullies liderado por Henry Bowers, algumas personagens com funções diferentes e, principalmente, o final,— o final do livro, na parte da infância dos protagonistas, é muito polêmico e não pegaria bem em um filme (veja mais sobre isso no meu post sobre o livro) —; apesar dessas diferenças, trata-se de uma boa adaptação, se mantendo fiel à obra original nas questões principais e que interessam. O próprio Stephen King ficou surpreso com a qualidade do filme.

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© 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. Via IMDB.

Concluindo

Vale a pena conhecer o livro e o filme. Ao ler, reserve um bom tempo e prepare para encarar várias páginas. Para ir ao cinema, não será preciso preparar a fralda, pois você não ficará com tanto medo assim. Fico no aguardo da continuação, que deverá ficar melhor que a primeira parte, pois o filme está batendo recordes de bilheteria, o que trará maior investimento para a segunda parte.

Alan Martins

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A capa do livro, publicado pela Suma de Letras, e o cartaz do filme, respectivamente.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

7 pensamentos

    1. Não é um filme que deixará com medo que assiste. É uma grande aventura, com um monstro como vilão. Certo, há cenas “feias”, porém faz parte do enredo, nada esta ali apenas por estar. Você sairá satisfeita do cinema.
      Obrigado pelo comentário, me deixa muito feliz.
      Abraço!

      Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigado. Não sou acostumado a falar sobre filmes, por não entender muito as partes técnicas. Esse foi o primeiro post que fiz sobre cinema. Fico feliz que tenha gostado. Já com livros, me sinto mais à vontade. Acho que ficou mais fácil comentar sobre as duas obras. Demorei quase um mês para terminar o livro, tanto pelo tamanho, falta de tempo e pela escrita meio arrastada, mas segui em frente! Você consegue também e acho que será melhor assistir o filme após o livro.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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