POEMA: OLHE DEBAIXO DA CAMA

Um dos gêneros literários que mais gosto é o Terror. Livros que mexem com o imaginário, com os medos mais inconscientes. Acredito que atingir esse objetivo na literatura não deve ser algo fácil, é preciso muita criatividade e usar bem as palavras. Pensando nisso, resolvi escrever um poema voltado ao terror, com uma história sobre algo desconhecido, que persegue o narrador e que não pode ser visto. O desconhecido é sempre aterrorizante.

Será possível um poema causar medo?


OLHE DEBAIXO DA CAMA

Olhe debaixo da cama,
para essa figura que engana.
Depois lembre-se de quem te ama,
e dê adeus à sua trama.
Ouça! É a escuridão que o chama!

Jamais imaginei passar por tal situação.
Nunca acreditei em lenda,
nessas histórias de assombração.
Por mais que você não me entenda,
ainda não foi rompida a fenda,
que liga a realidade à imaginação.
Tenho os pés no chão…
Ao menos até então…

Aconteceu no último mês,
foi quando o vi pela primeira vez.
Detrás da lápide, sua tez.
Em meu ato de insensatez,
aquilo percebeu o mal que me fez.

Nem burrice,
nem crendice.
É realidade,
a mais pura verdade!
Minha vida se tornou um horror.
Um pesadelo, um filme de terror!
AQUILO não conhece o amor,
Trata-se de crueldade em total esplendor.

Outro dia, andando pela rua,
já era noite, sob o fulgor da lua,
avistei sua figura.
Aquela feroz amargura.
Um misto de sedução e loucura

Presenciei fatos sem nexo,
ao me barbear, lá estava seu reflexo.
Por isso deixo um conselho:
Caso não queira dar de cara com o alheio,
se desfaça de qualquer espelho.
Quebre-os por inteiro.
Caso contrário, do medo se tornará prisioneiro.

Hoje, está aqui comigo.
Não posso vê-lo, mas sinto o perigo.
Sob meu leito, seu abrigo.
Estou morrendo de medo, caro amigo.

Sigo vivo por ora.
Talvez devesse fugir, sem demora,
pois meu fim virá, ele o elabora.
Deixo esse aviso, antes que eu vá embora:
Olhe debaixo de sua cama. Olhe agora!

Alan Martins

poema_olhe_debaixo_da_cama_destaque2
Editado sobre imagem de Allen Garvin, publicada sob Licença (CC BY 2.0). Disponível em: https://flic.kr/p/73wUTh.

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Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

18 pensamentos

  1. Ora viva! Um poeta! No entanto, do fundo de minha chatice, devo confessar minha resistência às rimas… Já faz um tempinho, tem aumentado minha ojeriza em relação a estas malfadadas… Mas nada que tire o brilho de sua criação! Parabéns! 😉

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ha ha, sim, eu conheço essa resistência. Quem sabe eu não consigo quebrá-la com minhas rimas?!
      Em uma próxima, vou criar um sem rimas, me apegando mais ao clima do enredo.
      Obrigado pela visita, sempre bom ter você por aqui. 😀

      Curtir

      1. Poe foi dos primeiros, the real deal 🙂 Além de ter sido pioneiro das short stories, contos de investigação e um excelente poeta romântico . Tem tudo a ver 😀 . Procura os filmes. há imensas listas nos sites de cinema com adaptações das obras do Poe. O gato preto, a queda da casa de Usher, entre outros . Abraço 😉

        Curtido por 1 pessoa

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