A Teoria Comportamental

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B. F. Skinner no Departamento de Psicologia de Harvard, 1950 (editado). Publicada sob Licença (CC BY 3.0). Disponível em: Wikimedia.

A Terapia Comportamental (TC) é baseada nas terapias do comportamento que se desenvolveram no início do século XX, principalmente com J. B. Watson, que foi influenciado pelos estudos de Pavlov; sua grande repercussão ocorreu na década de 1950 com os estudos de B. F. Skinner (BAHLS; NAVOLAR, 2004).

Os estudos da teoria comportamental permitiram a criação de leis gerais do comportamento, tornando-o previsível. Existem dois tipos de comportamento dentro dessa perspectiva: o comportamento respondente (ou comportamento reflexo, involuntário) e o comportamento operante (os comportamentos voluntários, que modificam o ambiente e estão sujeitos a alterações de suas consequências) (BAHLS; NAVOLAR, 2004)

Comportamentos podem ser condicionados, ou seja, podem ser alterados dependendo das mudanças no ambiente. Os fatores causadores desse condicionamento são os reforçadores (negativos ou positivos) e/ou estímulos aversivos (BAHLS; NAVOLAR, 2004).

Considera-se estímulo positivo que, quando apresentado após a emissão de um comportamento, aumenta as chances desse comportamento voltar a ocorrer. Um estímulo positivo pode ser tanto afetuoso quanto uma recompensa física. É importante se crie sistemas de recompensas atrelados ao cumprimento dos objetivos desejados. Os comportamentos desejados e as recompensas devem ficar claras, para que a função seja desempenhada da melhor forma possível. Por isso é interessante que os estímulos sejam escolhidos considerando-se o que é realmente reforçador para o indivíduo e para o comportamento desejado. Reforçar uma pessoa quando ela está fazendo algo próximo ao esperado é muito mais eficaz do que recompensar apenas quando ela agir corretamente, pois a demora pode desmotivá-la. É preciso ter cuidado na hora de reforçar determinado comportamento, pois pode-se reforçar comportamentos desejados e indesejados, já que o reforço positivo não possui moral. (BANOV, 2015).

Outro conceito da teoria comportamental é a extinção. A extinção é caracterizada pela retirada de estímulos controladores de um comportamento. Retirando-os, o comportamento deixa de ser reforçado. Seu objetivo é eliminar o comportamento. Um exemplo banal é deixar de dar atenção a uma pessoa quando ela falar alto, dessa forma o reforçador (atenção) não existirá, o comportamento de falar alto deixará de ser reforçado e entrará em extinção (BANOV, 2015).

Punição é um estímulo aversivo, aplicado com o objetivo de eliminar um comportamento inadequado. Segundo Skinner, a punição somente produz diminuição de um dado comportamento temporariamente e nas situações em que o agente punitivo estiver presente. Dessa forma, a punição não é a maneira mais eficiente de remover um comportamento, na verdade ela pode gerar outros comportamentos indesejados. O reforço positivo mostra-se muito mais eficaz do que a punição (BAHLS; NAVOLAR, 2004).

Se caracteriza reforço negativo a retirada de um estímulo aversivo com o objetivo de aumentar a repetição de um comportamento que é desejável. Podendo ser: a retirada de algo indesejado, como não trabalhar aos sábados se a produtividade aumentar; ou a retirada de uma punição, sendo a punição o estímulo a ser evitado, como um aluno que odeia ir à escola, mas vai para não ser reprovado. Por isso é comum ver pessoas sendo controladas pelo reforço negativo, pois muitas afirmam fazer algo por obrigação, e não porque gostam. Isso mostra que somos motivados pelo prazer e pela dor (BANOV, 2015).

A abordagem comportamental se baseia no behaviorismo radical e busca entender as variáveis de controle de diversos problemas humanos. Busca descrever causas, efeitos de variáveis e possíveis formas de modificar esses problemas. O mais importante nessa abordagem é o conhecimento da função que as respostas, trazidas pelos pacientes, apresentam no ambiente onde está inserido (BANACO, 1999).

Essa abordagem acredita que um comportamento será modificado se as variáveis do ambiente e as respostas do sujeito também forem. A maior ferramenta do analista do comportamento é a Análise Funcional. Com ela, pode-se encontrar as relações estabelecidas entre indivíduo e ambiente, dando a possibilidade de experimentação de modificações nessas relações. Descreve-se o comportamento dentro de determinadas circunstâncias (A) onde o indivíduo responde de tal maneira (R) e quais as consequências que mantém essa resposta (C). Essa abordagem não vê o indivíduo como doente, diferente do dizer médico ou de outras abordagens psicológicas. As técnicas e/ou procedimentos comportamentais, são as relações estabelecidas entre indivíduo e ambiente, que propiciam o estudo sobre as formas de modificas essas relações. Esses procedimentos deram origem a técnicas terapêuticas mais atuais e muito difundidas, como a Psicoterapia Funcional Analítica (FAP) e a do bloqueio a esquiva (BANACO, 1999).

As práticas parentais positivas, que incluem monitoria positiva, envolvendo expressões de afeto, estabelecendo limites e supervisão das atividades da criança e promoção do comportamento moral; são capazes de evitar o surgimento ou manutenção de problemas de comportamento. Já as negativas, que envolvem abuso físico e psicológico, negligência, falta de atenção e afeto e a monitoria negativa; podem elevar a probabilidade de sua ocorrência (BOLSONI-SILVA; SILVEIRA; MARTURANO, 2008).

Qualquer comportamento se mantém pelo reforço que recebe, seja positivo ou negativo. Pais que continuam emitindo respostas que mantém os problemas de comportamento no repertório do filho, apresentam uma falta de conhecimento de maneiras alternativas de se comportar para conseguir reforçadores, ou fazem por, desta forma, não obterem reforçadores. A Análise Funcional Comportamental descritiva mostra-se importante, pois dessa forma é possível relacionar todo o repertório do cliente, para não criar repertórios funcionalmente equivalentes. O foco da TC deve ser o de criar novos repertórios, que garantiriam reforçadores comparáveis aos ganhos secundários (comportamentos que o problema produz) (BOLSONI-SILVA; SILVEIRA; MARTURANO, 2008).

Na clínica, a Análise de Comportamento investiga as relações funcionais, buscando alívio para o sofrimento e resolvendo as queixas. Através dela é possível localizar as variáveis que favoreceram o desenvolvimento e a manutenção do comportamento. Pode-se trabalhar, na Análise do Comportamento, com terapia com adultos, adolescentes e crianças; com crianças há algumas particularidades. Implementar novas habilidades no repertório comportamental, proporcionar uma melhor adaptação social e o autoconhecimento são uns dos objetivos do trabalho com a criança. Autoconhecimento é a possibilidade de o indivíduo descrever contingências onde seus comportamentos se inserem (EMIDIO; RIBEIRO; DE-FARIAS, 2009).

A participação dos pais é um fator essencial para o sucesso da terapia. A família proporciona contingências para a aprendizagem e o desenvolvimento de comportamentos, servindo como modelo. É a família que contribui para a ocorrência de déficits ou excessos dos padrões de relacionamento e competência social. Pais que mantém conversação, expressam sentimentos, colocam limites e cumprem promessas, oferecem modelos adequados e lidam melhor na educação de seu filho. Já pais coercitivos, oferecem condições para a ocorrência de problemas de comportamento (EMIDIO; RIBEIRO; DE-FARIAS, 2009).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAHLS, S. C.; NAVOLAR, A. B. B.. Terapia cognitivo-comportamentais: conceitos e pressupostos teóricos. Psico UTP, 4, p.1-11, jul. 2004.

BANACO, R. A.. Técnicas cognitivo-comportamentais e análise funcional. In: KERBAUY, R. R.; WIELENS, R. C. (Org.). Sobre comportamento e cognição. Santo André: Arbytes, 1999. Cap. 9. p. 75-82.

BANOV, Márcia Regina. Behaviorismo, o controle comportamental nas organizações. In: _______. Psicologia no gerenciamento de pessoas. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2015. Cap. 3. p. 19-39.

BOLSONI-SILVA, A. T.; SILVEIRA, F. F.; MARTURANO, E. M.. Promovendo habilidades sociais educativas parentais na prevenção de problemas de comportamento. Rev. bras. ter. comport. cogn., 10-2, p. 125-142, dez. 2008.

EMIDIO, L. A. de S.; RIBEIRO, M. R.; DE-FARIAS, A. K. C. R.. Terapia infantil e treino de pais em um caso de agressividade. Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn., 11-2, p. 366-385, 2009.

Alan Martins


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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

27 pensamentos

  1. Eu, como pai, tenho grandes crises existenciais sobre se estou fazendo a coisa certa em relação ao meu pequeno… Não é fácil discernir isso… Que tarefa tão homérica essa…
    Obrigado pelo texto (ainda que não seja literário xD lol)

    Curtido por 1 pessoa

    1. Se você procurar alguns artigos sobre psicologia comportamental e treino de pais, vai encontrar boas dicas sobre como lidar melhor com seu filho. Nada como uma terapia com um profissional treinado, mas a leitura já ajudará muito a compreender melhor a relação pai-filho.
      Eu é que agradeço a sua visita, que bom que o texto lhe serviu! 😀
      Abraço!

      Curtido por 1 pessoa

      1. Tenho lido bastante. Comprei um livro chamado Disciplina sem Dramas que é uma pérola… Mas não é fácil, ao final do dia, encontrar a paciência que roubaram horas antes, pra poder educar… É um caminho. Tem de ser percorrido 🙂 Abraços e continue o bom trabalho, por favor. Mas sem pressão 😂

        Curtido por 1 pessoa

  2. se tem uma coisa na psicologia que sempre me incomodou foi ‘a teoria comportamental’. Analisar um individuo nos permite aprendê-lo, mas o individuo também poderia aprender se conseguisse observar a si mesmo quando num quarto escuro ou em meio aos seus ou outros. Mas ninguém se dá ao trabalho. rs
    É mais fácil repetir Mário de Andrade e dizer ‘ninguém se liberta facilmente das teorias avos que bebeu’. rs

    Muito bom o seu post, me levou de volta aos dias de cadeira, livros e inquietação diante dos monstros que nós mesmos escondemos embaixo da cama. E pensar que na infância sempre tinha um adulto a negá-los. Mas estão sempre lá. rs

    Curtido por 1 pessoa

    1. Acredito que, no fim das contas, cada teoria diz a mesma coisa, apenas de maneiras diferentes. Assim como existem diversos idiomas, e dá para se falar as mesmas coisas, mas em línguas diferentes. Gosto muito da linha comportamental porque é a com qual mais me identifico, sem negar a importância das demais.
      Olha, os monstros estão sempre embaixo da cama, eles só tomam formas diferentes ha ha. Depois de adultos, tememos outras coisas, mas no fundo, são todos monstros.
      Obrigado pela visita e pelo comentário!
      Abraço.

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  3. Na parte :” A família proporciona contigências para a aprendizagem e o desenvolvimento de comportamento,… É a família que contribui para a ocorrência de déficits ou excessos dos padrões de relacionamento e competência social. Pais que mantém conversação, expressam sentimentos, colocam limites e cumprem promessas, oferecem modelos adequados e lidam melhor na educação de seu filho.” Pois bem, penso que ele estava correto ao fazer essa afirmação. O problema que muitos pais não querem ter essa responsabilidade, e “jogam” o “fardo” para a escola. Gostei do teu post.😉

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    1. Muito obrigado!
      Olha, existem pais que nem fazem noção de como agem, que não percebem que se trata de uma criança, querendo que ela aja e pense como um adulto. O problema maior é que não admitem agir errado, assim muita coisa fica comprometida, até uma terapia comportamental.
      Gosto dessa teoria pela sua praticidade e aplicabilidade. É de grande importância para nosso desenvolvimento, pode ser de grande ajuda.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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