‘Não estou louco para fazer terapia!’

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Imagem base: imgflip.

É comum ouvir esse tipo de frase vinda de alguém que não está muito por dentro sobre o que se trata a área da Psicologia. Não seria correto culpar as pessoas por isso, não de todo, afinal, por ser uma área fortemente ligada à saúde mental, muitos estigmas foram criados sobre a profissão ao longo das décadas. Temos linhas teóricas como a psicanálise, com um vasto e aprofundado estudo sobre a psicose; temos o histórico da psiquiatria, que rotulou pessoas e as trancou em manicômios durante muito tempo; e temos preconceitos, cristalizados na sociedade por esses motivos citados e também por muitos outros.

Uma coisa é certa: a Psicologia não é um estudo sobre a loucura (uma palavra com teor muito agressivo e negativo, que agride muito mais do que descreve), o fato de psicólogos não gostarem de rotular as pessoas com doenças mostra que esse não é bem o caso. A ideia de louco, geralmente se refere à pessoa que rompe com a realidade, um psicótico, que é uma parte muito baixa das pessoas que buscam, ou são levadas à terapia. A grande maioria da população não vive em situações extremas de delírios. Todo mundo tem problemas que poderiam ser amenizados com uma psicoterapia, desde a falta de habilidades sociais, até um caso de depressão mais aguda.

Porém, nem só de terapia vive o psicólogo. Esse é um profissional que está inserido em diversos contextos, a área de atuação é ampla. Na maioria dessas áreas, sequer ocorre uma terapia (não aos moldes tradicionais, de acordo com o setting terapêutico). Continue lendo e descubra que Psicologia não é uma “coisa de louco”.

Psicologia na escola

Se há uma área onde o conhecimento psicológico é muito necessário, principalmente em nosso país, é a área escolar. Problemas de aprendizagem; falta de interesse do aluno; comportamentos agressivos, tudo isso ocorre em uma escola. É muito comum colocar a culpa apenas no aluno, dizer que ele possui TDA-H, por exemplo, e receitar um medicamento que irá acalmá-lo, como a Ritalina®.

Um psicólogo escolar bem capacitado será um agente importante nesse tipo de caso, pois observará além do que se vê no ambiente escolar. Será que a falta de interesse do aluno é porque ele não gosta de estudar? Não será uma didática ruim do professor? Será que esse aluno não passa fome, por ser de uma família de baixa renda, o que acaba atrapalhando seu desempenho escolar? E se, por conta de sua situação financeira, ele precisa trabalhar, o que o acaba desgastando, desestimulando-o quanto aos estudos?

Parece coisa de louco? Acho que passa muito longe disso, né? Um psicólogo escolar busca ir além do que ocorre dentro da escola, pois a vida de um aluno não está resumida apenas ao sistema educacional. Faz-se necessário um olhar para o social.

Psicologia na comunidade

Esse é um campo muito vasto para a atuação do profissional da Psicologia. Talvez seja o campo onde se possuiu maior liberdade, fugindo da tradição da clínica e um pouco da formalidade, talvez onde o psicólogo possa ser mais “autentico” (pode-se ler ‘a psicóloga’ também). É que, trabalhando numa comunidade, o profissional terá que interagir com os moradores em ambientes do dia-a-dia, como o ESF (Estratégia Saúde da Família) do bairro, centros comunitários, estabelecimentos comerciais, ou até em suas residências.

Junto de uma equipe multiprofissional, o psicólogo trabalhará para buscar soluções que irão trazer benefícios para os moradores do local. O que poderia trazer algo de bom para todos? O que está faltando no bairro, que é um direito de todos? Muitas pessoas não possuem noção de seus direitos e deveres, e o psicólogo poderá fazer esse tipo de trabalho, de mostrar que a comunidade está sob dizeres das camadas dominantes. “Ah, a vida é assim, sempre foi assim, é normal”. Não! Muita coisa não é normal, às vezes uma ideia errônea está tão cristalizada numa comunidade, que fica difícil imaginar o oposto.

Foi apenas um exemplo do que pode ser feito numa comunidade, a partir de um trabalho de investigação sério, baseado em técnicas científicas e levantamento de dados. É possível se trabalhar com terapia em grupo nesses casos também. Mais um exemplo que mostra que a Psicologia se distancia da loucura.

Psicologia do trabalho

Em grandes empresas, existem psicólogos atuando. Eles estão fazendo terapia por lá? Seria bem difícil dar conta da demanda, e mesmo se fosse possível, esse não é o trabalho de um psicólogo dentro de uma organização.

A área de recrutamento de pessoas pode se beneficiar muito com o profissional da psicologia, pois é o único profissional habilitado para o uso de testes psicológicos. Além de ser um profissional treinado para executar entrevistas.

Por possuírem muitos funcionários, conflitos são eminentes em grandes empresas. O olhar amplo do psicólogo ajudará a resolver esses conflitos, melhorando o ambiente de trabalho, buscando alternativas para que os colaboradores se sintam à vontade e mais estimulados a trabalhar. Formas de aumentar a produtividade serão pensadas ao se analisar o funcionamento de cada setor. Isso faz do psicólogo um profissional importante para o crescimento de uma empresa, tanto no sentido econômico, como no sentido de crescimento humano.

Onde a “loucura” entra nisso tudo? Em lugar nenhum.

Contexto clínico

O contexto mais estigmatizado. Ora, uma parcela muito baixa da população é psicótica. Nesses casos, uma terapia psicológica será apenas uma das etapas para o bem estar dessa pessoa, pois será preciso a ajuda de outros profissionais da saúde para uma maior obtenção de resultados positivos.

Entretanto, é mais comum pessoas com outras queixas buscarem uma clínica de psicologia. Em um olhar behaviorista, após algumas sessões, o que mais se vê são pessoas com poucas habilidades sociais, o que prejudica seus relacionamentos, consequentemente suas vidas. Aqui, o psicólogo irá fazer um treinamento dessas habilidades desfalcadas, o que beneficiará a vida do indivíduo de uma maneira muito ampla. Ou também em casos de fobias, a Psicologia Comportamental apresenta altas taxas de sucesso em queixas do tipo.

Temos a terapia psicanalítica, muito utilizada no atendimento de crianças, assim como de adultos também. Por ser um trabalho mais interpretativo, traz diversos benefícios para quem sequer pensa que possui um problema, pois proporciona o autoconhecimento. Um psicólogo que se baseia na Psicanálise precisa ler nas entrelinhas (assim como todos, porém nesse caso essa habilidade faz-se muito mais necessária), ou seja, fará conhecido ao cliente aquilo que, até então, estava desconhecido, por meio da análise.

Psicólogo também precisa de terapia

Muitas pessoas pensam que o psicólogo é uma espécie de louco, o que é verdade mais uma ideia sem sentido.

“Mas ele precisa fazer terapia, então é doido!”. N-Ã-O. Como dito acima, uma psicoterapia proporciona autoconhecimento. Como um profissional que precisa lidar com situações tão delicadas de seus clientes poderá realizar um bom trabalho se ele não estiver livre de suas repressões? Se algo que um paciente disser tocar uma ferida do profissional, algo que o incomoda, isso comprometerá o sucesso do caso. Para saber lidar com todas as situações vivenciadas em seu trabalho, o psicólogo precisa conhecer a si, conhecer seu funcionamento, saber superar suas adversidades. Todo mundo possui seus problemas pessoais, e o psicólogo também é humano, mesmo que isso seja difícil de crer.

Concluindo

Acredito que foi possível mostrar como a Psicologia é uma área ampla, que não se resume à clínica. Foram apresentados apenas alguns exemplos de sua atuação, já que existem psicólogos atuando na área jurídica, no esporte, no transito (você passa por um para tirar sua CNH), e muitas outras.

Falando sobre o contexto clínico (o mais comum), uma psicoterapia bem executada, por um profissional qualificado, só trará benefícios. Não é preciso estar “doente” nem “louco” para visitar um psicólogo. A cada dia, problemas novos aparecem, e caso esteja difícil lidar com eles, o psicólogo será de grande ajuda no enfrentamento dessas situações aversivas. A Psicologia proporciona desenvolvimento humano, visando a qualidade de vida das pessoas. Liberte-se das amaras, loucura é viver no preconceito.

P.S. Uma pessoa precisa ir buscar um psicólogo por livre e espontânea vontade, o que irá contribuir para o sucesso da terapia, pois seu empenho em querer melhorar é tão importante quanto a boa atuação do profissional.

P.S. 2. Psicólogos não leem mentes e não ficam analisando as pessoas a todo momento. Mentira, eles sabem tudo o que você pensa e você está sempre sendo analisado, caso esteja ao lado de um psicólogo. Cuidado!

Alan Martins, quase louco psicólogo


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Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

23 pensamentos

    1. Isso é ótimo, esse pensamento positivo já vai ajudar bastante. Veja qual tipo de terapia é mais indicada para o seu caso e procure um profissional que achar mais qualificado. Tenho certeza que a terapia irá te ajudar muito, vai te mostrar novos horizontes.
      Obrigado pelo comentário.
      Abraço. 🙂

      Curtido por 1 pessoa

    1. Você tem razão, muitas pessoas têm medo de acabar “descobrindo” coisas a seu respeito, medo de mudança. Muita coisa pode ser desvendada em uma terapia. Fico feliz com essa escolha que fiz, e agradeço muito o seu comentário! Obrigado.

      Curtido por 1 pessoa

  1. Oportuno post. À época em que estudei Engenharia de Produção, não conclui e me transferi co tudo para o Jornalismo, uma das disciplinas era Psicologia do Trabalho. Nela, o universo psicológico do ser humano, claro que ali estudado de forma limitada, pode ser melhor compreendido por mim e naturalmente com uma visão bem mais ampla e positiva em relação aos seus efeitos. Muito bom, Alan. Abraço.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Acho essa uma área muito interessante. As possibilidades dentro de uma empresa são inúmeras, há muito para o que se contribuir. E é muito legal o conhecimento do assunto, legal saber que você gostou de estudar o assunto. Obrigado pela visita e pelo seu comentário!

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