Minhas Leituras #16: Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

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“Melhor introdução à mitologia nórdica”

Título: Mitologia Nórdica
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 288
Tradução: Edmundo Barreiros
Veja o livro no site da editora: http://www.intrinseca.com.br/livro/727/

A mitologia nórdica nos apresenta os mitos de um lugar gelado, com noites muito, muito longas no inverno e dias intermináveis no verão; mitos de um povo que não confiava plenamente em seus deuses ou nem sequer gostava deles, ainda que os respeitasse e temesse. (GAIMAN, Neil. Mitologia nórdica. Intrínseca, 2017, p. 10-11)

Talvez a mitologia nórdica nunca esteve tão em alta quanto está hoje em dia. Os filmes da Marvel, com os personagens Thor e Loki, são sucessos de bilheteria e estão na boca do povo. Os quadrinhos também estão fazendo bastante sucesso. Mesmo que essas adaptações possuam grande influência dos mitos escandinavos, elas ainda são adaptações, contam partes desses mitos de maneira distorcida. Em “Mitologia nórdica”, Neil Gaiman pretende apresentar esses mitos de maneira fiel, mesmo que em forma de romance, com menos alterações possíveis. Não poderia haver momento mais propício para sua publicação. Neste livro, conhecemos o começo de tudo, a criação do mundo e de onde vieram deuses como Odin, Thor, Loki, Balder, entre outros, até chegar ao final de tudo, o fim do tempo dos deuses, o Ragnarök.

O autor

Quem é fã de literatura fantástica e de quadrinhos, certamente já ouviu o nome Neil Gaiman. O britânico é autor de grandes sucessos mundiais, como “Deuses americanos” (Intrínseca, 2016), “O oceano no fim do caminho” (Intrínseca, 2013) e “Sandman” (Panini, 2016), Gaiman é um autor respeitado e influente desse gênero literário, uma referência nesse assunto. Não é à toa que muitos livros possuem citações ou prefácios escritos por ele, pois se ele aprova uma obra, escrevendo argumentos positivos, é porque se trata de um material de qualidade.

Em “Mitologia nórdica”, Gaiman diz, em sua introdução, como trabalhou no livro, de onde veio a inspiração e sobre as pessoas que o incentivaram a escrevê-lo. Ele também conta sobre como essa mitologia o encantou desde sua infância, quando lia os quadrinhos da Marvel, e como essa paixão pelos mitos perdura até hoje. Além disso, é inegável como as mitologias serviram de inspiração e estão presentes em suas obras. Pois bem, após vários anos estudando sobre a mitologia nórdica, Gaiman decidiu contá-la a seu modo, pois, segundo ele, a diversão dos mitos está em contá-los, algo que ele incentiva o leitor a fazer após terminar o livro. E querem saber de uma coisa? Ninguém poderia contar esses mitos de maneira tão simples e poética quanto Neil Gaiman.

A mitologia nórdica

Não há título mais claro para um livro quanto esse, pois todos já sabem o que está por vir. Porém, é uma mitologia tão rica que muita gente não conhece seus vários detalhes. As mitologias são maneiras que os povos criavam para explicar as coisas do mundo, já que há séculos atrás não existia a ciência para essa função. Cada mito, cada deus, cada fato, é uma explicação para determinado assunto. Hoje as chamamos de mitologias, entretanto eram também cultos, seus deuses eram cultuados pelas pessoas. Religiões também são maneiras de explicar o mundo, porém algumas, como o cristianismo, se expandiram e dominaram a Europa Ocidental e depois o mundo. Até por isso muito da mitologia nórdica se perdeu no tempo. Quando o cristianismo dominava o mundo, antes do Renascimento, cultuar e possuir esse tipo de material era um crime dos mais terríveis, pois eram considerados rituais pagãos. Infelizmente há muitos deuses perdidos para sempre, explicações que jamais serão compreendidas. Muito dessa mitologia se perdeu.

Diferente de outros mitos e religiões, os deuses de Asgard não são todos poderosos, oniscientes ou onipresentes. Muito pelo contrário, são seres que envelhecem como os humanos; se não fosse pelas maçãs da juventude de Iduna, eles pereceriam antes mesmo do Ragnarök chegar, que é o fim dos tempos, a morte dos deuses e dos seres que habitam os nove mundos. Mesmo Odin, o Pai de Todos, não é um ser imortal e nem é o mais forte, precisa se alimentar como qualquer um. São deuses egoístas, traidores e sanguinários, não são a representação de tudo o que há de bom. Thor é um mala e, mesmo sendo o mais forte dos deuses, há gigantes com força superior a sua. Loki, irmão de Odin por laço de sague, é astuto e pode complicar a vida dos deuses em diversas situações, porém sua astúcia é algo necessário para elas, que se mostram ingênuos às vezes. A mitologia nórdica é a história de deuses que criam todos os nove mundos, que controlam cada característica da vida humana. O início de tudo se deve a eles, assim como o fim de tudo, que ocorrerá por serem seres imperfeitos.

A escrita

 Mesmo quem desconhece os deuses nórdicos entenderá suas histórias. Gaiman narra desde a criação do mundo até o seu fim, explica cada parte dos mitos em pequenos contos, que formam os capítulos do livro; tudo isso em prosa, romantizado à sua maneira. Ele criou diálogos e situações para explicar algo, que seria um pouco complicado, de maneira mais acessível. Podemos dizer que ele fez o mesmo que Ayn Rand em seus romances, explicando suas ideias filosóficas através de obras de ficção (sem querer comparar autores ou gêneros).

A forma que o autor escreve é descomplicada, muito clara e simples, sem perder o caráter poético. Há momentos de muita ação, com Thor derrotando gigantes e trolls; há momentos de inusitado humor com Odin e a explicação para a poesia boa e a poesia ruim. Apesar de ser uma maneira mais simples de contar essa mitologia, se comparado a poemas e livros datados de 1200, ou os “Eddas”, Gaiman não deixa nada passar batido, o conteúdo do livro é muito rico e abrangente. O autor tomou o cuidado de criar um glossário que faz uma breve descrição sobre cada termo e personagem apresentado. A leitura flui de maneira que não se vê o tempo passar, as páginas viram rapidamente de tão gostoso que é conhecer essa mitologia, contada de forma tão maravilhosa. É tão divertido que, assim como eu fiz, é possível terminar o livro em um único dia, e o sentimento de “quero mais” vai ficar ao final. Neil Gaiman é um grande contador de histórias.

Sobre a edição e a editora

A editora Intrínseca merece todos os elogios com essa publicação, que ocorreu quase simultaneamente com a versão original, que foi publicada, nos EUA, em fevereiro desse ano de 2017. Não posso falar sobre quanto tempo Edmundo Barreiros – tradutor experiente, com diversos trabalhos no currículo – teve para traduzir essa obra e para editora fazer toda a edição e parte gráfica, porém posso afirmar que o resultado final ficou impecável. Tradução muito boa mesmo, com um trabalho excelente da revisão, sem nenhum erro de ortografia encontrado. A parte estética e física é de um capricho sem igual. Impresso em papel Pólen Bold, páginas bem grossas que fazem o livro parecer maior do que é, tipografia de ótimo tamanho, com um generoso espaçamento entre as linhas, tudo isso protegido por capa dura, com uma textura “emborrachada”. A edição ficou linda mesmo. E para não dizer que estou elogiando demais a editora, digo que poderiam ter feito margens maiores, para facilitar um pouco a leitura, com a abertura do livro.

Quem é fã de filmes e séries sobre mitologia nórdica, que, aliás, estão em alta, vai adorar ler esta obra escrita pelo mestre Neil Gaiman. Uma boa introdução ao mundo de Thor e Odin, sem deixar nenhum detalhe importante passar em branco. Leitura fácil e agradável, recomendado a todos. Só tome cuidado, pois é quase certo que você sentirá vontade de beber hidromel (a bebida preferida dos deuses nórdicos) ao terminar o livro, ou até mesmo quando estiver na metade da leitura.

Minha nota (de 0 a 5): 5

Alan Martins

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Capa com uma bela arte, mostrando o Mjölnir, o martelo de Thor.

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Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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