Minhas Leituras #12: Joyland – Stephen King

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“King misterioso”

Título: Joyland
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015
Páginas: 240
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Stephen King é um dos meus autores favoritos, já li vários de seus livros e tenho muitos outros que ainda estão na fila. Conhecido como “O Mestre das histórias de terror”, ultimamente tem escrito obras que fogem um pouco desse gênero que o consagrou como um dos maiores escritores dos Estados Unidos. Noto, também, que seus livros mais recentes possuem uma escrita em primeira pessoa. Joyland segue esse padrão “King mais maduro”. Foi publicado, originalmente, pela editora estadunidense Hard Case Crime, que publica crime fictions, ou seja, romances policiais (em uma tradução aproximada). A capa do livro traz a seguinte citação da revista Entertainment Weekly: “Uma das histórias mais bem escritas de King… Profunda, divertida, cheia de reviravoltas, despretensiosa e, por fim, arrasadoramente triste.”. Concordo em partes. Essa é, sim, uma das histórias mais bem escritas de King, o tempo só fez bem a sua habilidade, hoje ele é um escritor muito melhor do que 20 anos atrás. Posso concordar até com o restante, mas não com a parte das reviravoltas, só há uma nessa história, que fica até meio óbvia com o desenrolar do enredo.

O protagonista é Devin Jones (me lembrei de Piratas do Caribe: O Baú da Morte ao ler esse nome), um jovem de 21 anos, um tanto solitário, estudante universitário em busca de um emprego para melhorar sua renda. Ele também é o narrador da história. Em certas partes, o livro até parece sua autobiografia, já que grande parte da narrativa é focada em sua vida e não em um grande mistério, como imagino que um crime fiction geralmente é. Revival, que é um outro romance recente do Mestre, também é narrado em primeira pessoa e conta parte da vida do protagonista, porém se foca muito mais no misterioso reverendo Jacobs, que é o grande trunfo do enredo. Joyland é um parque de diversões, onde Jonasey (o apelido do protagonista) foi buscar emprego. Ele nos apresenta seus novos amigos, o funcionamento do parque, conhecemos os funcionários, o dia a dia de trabalho, há muita descrição. Até a centésima página, é praticamente isso o que o autor nos apresenta. Muito pouco do grande crime e do mistério que ocorreu no parque há alguns anos é exposto, não se cria um clima de tensão, muito menos uma pulga atrás da orelha. Talvez a história seja sobre o parque que dá título ao livro, talvez seja uma história sobre a juventude de Devin Jones; o que seria difícil é afirmar que se trata de uma história sobre um assassinato, um com toques sobrenaturais, afinal, estamos falando de Stephen King.

A escrita do Mestre, ao menos nesse livro, não é a melhor para se criar um grande mistério, uma história cheia de plot twists, como Harlan Coben faz com maestria. King é muito bom para descrever coisas: o parque é muito bem descrito, os sentimentos são muito bem expressos. Por isso podemos afirmar que é uma escrita boa, pois, apesar de pequeno, é um livro rico em detalhes. Devin possui vários problemas com sua namorada, sua melancolia e sua tristeza são muito bem representadas. As dores do primeiro amor não poderiam serem descritas tão bem como nessa obra. Apesar de o foco do enredo ser o mistério, principalmente, não é uma leitura chata ou tediosa. Não me senti cansado em nenhum momento da leitura, cheia de momentos divertidos. Entretanto, se houvesse um pouco mais de mistério, seria um pouco mais empolgante. Além disso, King tem o habito de dar spoilers sobre seus personagens, isso não é algo bom para um livro desse gênero.

Nos momentos finais o “grande mistério” é revelado. Mas, antes mesmo de o nome do grande assassino ser revelado, já temos uma ideia de quem seja. King tenta fazer você se apaixonar pela personagem, para depois te surpreender com a revelação, mas ele falhou dessa vez. A própria escrita dele faz com que apenas duas personagens fiquem entre os suspeitos. E não há uma grande investigação, não envolve a polícia nem nada; são pessoas comuns que meteram o nariz onde não deviam, com a ajuda de pessoas com poderes mediúnicos (talvez não sejam pessoas tão comuns assim).

Sumariando, Joyland é um livro muito bem escrito, um livro cheio de sentimentalismo, com momentos tristes e alegres. O parque é tão bem descrito que parece ser real, ter vida própria. Apesar da parte sobrenatural, não dá medo, em nenhum momento. É uma história um tanto quanto misteriosa, porém esse não é o seu forte. Possui bons personagens, um protagonista muito legal, muito real. King melhora com o tempo assim como o vinho, sua escrita está refinada, consegue descrever sentimentos como poucos. Ele é um autor muito descritivo, isso às vezes é bom, às vezes não. Porém essa característica sua cria cenários riquíssimos, muito realistas, como as cidades apresentadas em seus romances, ou parques de diversão, nesse caso.

Não compre o livro imaginando ser uma história de terror, ou sobre um grande crime a ser desvendado. É um romance sobre um parque de diversões e seu trem fantasma dito assombrado, sobre um rapaz que começou a trabalhar lá e que, por curiosidade, xeretou em um crime que ocorreu no passado. Esse rapaz fez amizade com gente que possui dons especiais. Recomendo, será uma leitura rápida e gostosa, porém eu esperava mais desse livro. Minha opinião pode parecer um pouco negativa, imagino que seja um pouco de frustração, algo pessoal. Mas trata-se de um bom livro.

Sobre a edição, não se difere muito do que a editora vem nos apresentando. Brochura, capa com orelhas, papel Pólen Soft para o miolo, boa diagramação. Mantiveram a capa original, uma arte pulp style, padrão da editora gringa, que combina muito bem com a época do enredo, os anos 70, além de fazer referência à uma característica marcante de Joyland.

Alan Martins

Minha Nota (de 0 a 5): 4

joyland minha edicao
Capa muito estilosa, lembrando cartazes de filmes antigos.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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