Minhas Leituras #4: It: A Coisa – Stephen King

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“Você tem medo de palhaço?”

Título: It: A Coisa
Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras
Ano: 2014
Páginas: 1104
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O mestre Stephen King é autor o de diversas obras publicadas. Entre as mais conhecidas está “It: A Coisa”, um de seus livros mais extensos. Mas, como dizem, quantidade nem sempre quer dizer qualidade.

O livro é dividido em diversos capítulos, a história é contada por diferentes pontos de vista e há vários flashbacks. Podemos dizer que a narrativa é sobre a cidade fictícia de Derry, sobre a criatura chamada de “Coisa” e sobre um grupo de amigos que acabam se envolvendo com essa criatura. Tudo começa em 1958, quando 7 crianças acabam se tornando melhores amigos e descobrem a Coisa. Mortes bizarras acontecem em Derry, isso está marcado na história da pequena cidade. Esses acontecimentos ocorrem em um ciclo, de mais ou menos 27 anos. Esse é o motivo dos flashbacks: os 7 protagonistas prometeram voltar à cidade caso o ciclo recomeçasse. Em 1985 eles já são bem crescidinhos e todo o pesadelo da infância terá que ser revivido.

É uma história bem ampla, por isso fui bem raso na descrição. Não quero dar spoilers, melhor não contar detalhes para não perder a graça.

Falando em detalhes, esse é um ponto fraco desse livro. King gosta de escrever “blocos de concreto”. O número de páginas não é um problema, o problema é o conteúdo dessas páginas. Há muitos detalhes que apenas deixam a leitura lenta e cortam o clima. Esse é um empecilho encontrado em quase todos os livros gigantes do mestre. Cansa ler tanta informação que não acrescenta nada, nem desenvolve a narrativa. O autor acaba dando uma de psicanalista, descrevendo os motivos que levaram tal personagem a ser como é, os traumas da infância, as fixações. Talvez isso seria interessante em uma aula de Psicologia. Em um livro onde o objetivo é entretenimento, não é.

Não gostei do protagonista principal. Achei forçado como ele se torna líder, como todos  do grupo acabam o vendo como líder. Não vi muito carisma na personagem, há outros mais carismáticos e legais. Outra coisa meio “forçada” é como crianças de 11 anos agem e pensam como adultos, não natural. King coloca uma justificativa pra tudo isso, mas ela não me desce.

O livro, apesar de ser vendido como terror, não causa medo, nem susto. A criatura, o grande vilão, A Coisa, não dá medo. É difícil ficar com medo de um livro. Entretanto, A Coisa é um monstro muito interessante quando assume a forma do palhaço Pennywise. São as melhores aparições da criatura durante o livro. Já quando vemos sua real forma é uma decepção, assim como o confronto final. Se você pode descer a porrada em um monstro, você teria medo dele? Achei bem fraco e anticlímax.

Gostei do livro, apesar das críticas. Não como um todo, há partes boas e partes ruins. Eu não o consideraria um dos melhores. Stephen King é muito inteligente e criativo. Criou uma história detalhada, complexa e divertida. Deu vida a uma cidade. A amizade é um tema forte nessa história. Ver a amizade, as brincadeiras dos protagonistas enquanto crianças, traz pensamentos nostálgicos da infância de qualquer um.

Considero a leitura dos livros desse autor fácil, e aqui não é diferente. Difícil se perder ou se enrolar com palavras estranhas. Existe bastante simbolismo no livro. Em 1985 os protagonistas se lembram de pouca coisa sobre a infância, da mesma forma como esquecemos velhos amigos, fatos passados e nos tornamos adultos e deixamos a criança dentro de nós morrer.

Muita paciência e tempo é preciso para a leitura desse “tijolo”. Mas vale a pena, é uma experiência recompensadora. Esteja preparado para mergulhar em muitos detalhes, situações bizarras ao extremo (tipo: “Ele escreveu isso mesmo?”), e conhecer uma história criativa. Se você gostar, pode, também, assistir a adaptação da obra, que virou um filme dividido em duas partes no ano de 1990. Uma nova adaptação parece estar a caminho.

A edição da Suma de Letras teve um belo tratamento. A capa é simples e chamativa, um pouco intimidadora também. A fonte está de bom tamanho para um livro com mais de 1000 páginas, utilizando papel Pólen. Notei alguns erros, como palavras fora do lugar. Nada que comprometa a leitura, mas faltou atenção na revisão. Comparando todas as edições já publicadas desse livro, a de 2014 é a melhor, disparado. Teve até o capricho de uma nova tradução.

Minha nota (de 0 a 5): 3,5

Alan Martins

it a coisa
Gostei da capa. Essa é minha edição do livro.

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Autor: Alan Martins

Graduando em Psicologia. Amante da Literatura, resenhista e poeta (quando bate a inspiração). Autor e criador do Blog Anatomia da Palavra. Não sou crítico literário, porém meu pensamento é extremamente crítico.

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